Curitiba - As dívidas acumuladas pela agricultura do Paraná, desde o início do ano, devem superar R$ 1 bilhão de reais. Os agricultores financiaram o plantio da safra passada e a colheita não gerou renda suficiente para quitar os débitos. Só com as cooperativas, que financiaram a venda de insumos, os agricultores devem estar devendo mais de R$ 600 milhões, estimou ontem o assessor econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque.
As diversas entidades, que representam os agricultores, vêm alertando para um quadro de inadimplência geral. Se não houver uma solução urgente para quitar os débitos, os produtores não terão como financiar a próxima safra de verão, disse Albuquerque. Segundo a Faep, as iniciativas adotadas pelo governo para o setor do agronegócio são insuficientes. Para denunciar o que consideram ''um descaso'' do governo, os produtores rurais do Paraná vão participar de um ''tratoraço'' em Brasília, previsto para o próximo dia 29, quarta-feira.
Os produtores que financiaram o plantio da safra passada pelo Banco do Brasil, já estão com os débitos equacionados porque o banco prorrogou os vencimentos. Os pequenos produtores que financiaram a safra pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) estão amparados pelo seguro agrícola. ''Mas a maioria dos agricultores com débitos junto às cooperativas e com terceiros, estão descobertos de qualquer apoio'', disse Albuquerque.
O problema todo começou no ano passado quando os agricultores compraram insumos para plantar a safra, quando o dólar estava acima de R$ 3,00. Foram prejudicados pela estiagem e perderam, em média, 20% da produção. Com isso os custos de produção ficaram mais altos do que se imaginava. Na hora de vender a safra, o dólar caiu para R$ 2,40 e os preços das commodities despencaram no mercado externo. ''Foi um acúmulo de perdas em tão pouco tempo que derrubou o produtor'', explicou. Segundo Albuquerque não há capacidade de reverter a situação sem a ajuda do governo federal.
As cooperativas também estão sendo penalizadas. Elas investiram capital de giro para financiar o produtor e agora correm o risco de não receber o que emprestaram. Se elas não tiverem esse retorno, na próxima safra não terão condições de emprestar novamente, disse Albuquerque. A mesma coisa deve ocorrer com os bancos''. Eles contam com um volume de recursos que dependem dos retornos dos débitos quitados. ''Se os agricultores não conseguem pagar as dívidas, certamente a disponibilidade de recursos dos bancos para o plantio da próxima safra também será menor'', acredita.
O governo federal já liberou R$ 1 bilhão, em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para atender os municípios atingidos pela seca. No Paraná, os recursos foram insuficientes porque somente 40 prefeituras conseguiram o reconhecimento federal do estado de emergência, condição para receber o dinheiro.

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