Dívidas comprometem menos a renda de famílias no Sul
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
O Sul é a região do País com maior número porcentual de famílias endividadas: 82,03% do total. O mesmo índice no Sudeste - região com menos devedores - é de 54,78%. Os números se referem a 2011 e foram levantados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio) e fazem parte do estudo ''Radiografia do endividamento das Famílias Brasileiras'', divulgado ontem (ver quadro).
A pesquisa mostra que a proporção de famílias endividadas no País cresceu 6,39% entre 2010 e 2011 e passou de 58,58%, no fim de 2010, para 62,5% no encerramento do último ano. No período analisado, o volume da dívida teve um aumento de 11,57% nas capitais, passando de R$ 145,1 bilhões em 2010 para R$ 161,9 bilhões no encerramento de 2011. O valor do último ano equivale a R$ 13,5 bilhões em dívidas por mês.
O rendimento das famílias endividadas no período também aumentou, passando de R$ 491,5 bilhões para R$ 549,2 bilhões, ou R$ 45,8 bilhões por mês. O crescimento de 11,7% no rendimento permitiu que o brasileiro, apesar de endividado, comprometesse parcela ligeiramente menor da renda com dívidas. Na média das capitais, a parcela de renda comprometida passou de 29,53% para 29,49%.
O levantamento também indicou que o número de famílias inadimplentes foi 2 pontos porcentuais menor, passando para 22,9% do total. Além disso, houve retração no total de famílias que afirmaram não ter condições de pagar as dívidas total ou parcialmente. Em 2011, 8% da população se encontrava nessa situação, em dezembro de 2010 essa proporção era de 8,9%.
Capitais
Curitiba é a capital com maior proporção de famílias endividadas do País (90,3%), mas o comprometimento da renda dessas famílias com as dívidas é um dos menores: 26,4%.
Os números de Florianópolis são muito parecidos: 88,86% de famílias endividadas, mas comprometimento de apenas 26,4% do orçamento com dívidas. Porto Alegre foge à regra. A porcentagem de famílias endividadas na capital gaúcha é bem menor: 70,18%. E o porcentual do orçamento comprometido é maior: 31,2%.
Em todo o País, a capital com menos famílias endividadas é Goiânia, com apenas 45,13%. E Natal é a que tem maior comprometimento da renda: 38,1%.
O economista da FecomércioSP, Altamiro Carvalho, explica que não é por acaso que o Sul apresenta o maior número de famílias endividadas. ''Em 2009, havia um risco de concentração excessiva de crédito na Região Sudeste e o setor creditício buscou focar em outras regiões com renda maior. Curitiba tem 90% das família com dívida porque os bancos quiseram assim'', afirma.
Ele ressalta o fato de que o porcentual da renda comprometido está abaixo de 30%. ''Os indicadores (de Curitiba e Florianópolis) são bem saudáveis'', afirma.
Carvalho conta que o crédito para pessoa física no Brasil hoje está na casa de R$ 1 trilhão. E que somente 8% deste valor estão inadimplentes (atrasados por mais de 90 dias). ''É um exagero falar que a inadimplência está elevada'', declara.
O spread bancário brasileiro, segundo ele, comporta uma inadimplência de até 10%. ''Os números mostram que o brasileiro é um bom pagador e tem controle de suas finanças''.
De acordo com o economista, ainda há espaço para mais dívidas. ''Enquanto houver aumento de renda e baixo desemprego, há capacidade de endividamento'', considera. Levantamentos preliminares a respeito do primeiro semestre deste ano, segundo ele, mostram que o cenário é parecido com o de 2011. ''Não houve alteração significativa'', ressalta. (com Agência Estado)



