Dívida rural será decidida esta semana
Sônia Cristina Silva
Agência Estado
A Bancada Ruralista e líderes do movimento Caminhonaço acreditam na aprovação do projeto que reduz em 40% a dívida de agricultores, em discussão na Câmara Federal, a partir de Hoje. O presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentará esta semana o primeiro teste no Congresso, após ter exigido união e apoio dos partidos da base do governo. A Câmara deverá votar um recurso que poderá trazer de volta à pauta o projeto destinado a abater 40% das dívidas dos proprietários rurais, mote da mobilização que trouxe à Esplanada dos Ministérios alguns milhares de produtores rurais com os tratores, às vésperas de um protesto organizado pela oposição, a Marcha dos Cem Mil.
A votação foi adiada pelas últimas três semanas, à espera do esvaziamento da manifestação e da desmobilização da bancada ruralista no Congresso, e, agora, o governo espera que a base de sustentação rejeite o recurso, evitando o desgaste do veto prometido pelo presidente.
Vamos para o voto, promete o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Queríamos possibilitar um processo de entendimento, mas não foi possível, admitiu. O esforço de mobilização da bancada governista continua amanhã, mas Madeira prevê que o recurso seja votado na quarta-feira (15). O deputado tucano aposta numa vitória do governo, lembrando que o projeto foi considerado inconstitucional pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), principal líder da bancada ruralista no Congresso e um dos articuladores da manifestação que parou Brasília, avisa que haverá contra-ataque e que a votação não está garantida. Ele promete levar novamente ao Congresso lideranças rurais e formadores de opinião. A bancada não desanimou; o governo obstruiu a pauta e veio com tentativas de proscratinar a discussão, disse Caiado, citando a proposta de criação de uma comissão especial para discutir a questão do endividamento dos produtores rurais. Vamos para o voto. Operadores políticos do governo acreditam no apoio das bancadas do PFL e do PSDB, mas ainda temem por defecções entre setores do PMDB, mais afinados com o discurso ruralista. O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), não está preocupado. A maioria acompanhará a decisão já tomada pela CCJ, afirmou.
Ele considera que o período sem votações foi fundamental para tirar a paixão em torno do tema. Além disso, o governo tomou várias atitudes, inclusive criando a comissão, para tratar dos problemas dos proprietários rurais, disse.
Para desobstruir a pauta, a Câmara deverá votar, em primeiro lugar, o projeto de lei de organização da Defensoria Pública, que tem urgência.
Em seguida, vem o recurso em favor da bancada ruralista. Se tiver sucesso no primeiro teste, o governo tentará acelerar a votação de outros projetos importantes, como medidas de regulamentação da reforma da Previdência, a Lei de Responsabilidade Fiscal. Também interessa ao governo dar andamento à reforma tributária, ao Orçamento e ao Plano Plurianual de Investimentos (PPA).





