Dívida pública sobe R$ 2,1 bi com alta da Selic
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Agência FolhaDe Brasília 
A decisão do Banco Central de elevar os juros básicos da economia em 0,75 ponto percentual vai aumentar a dívida pública em R$ 2,1 bilhões, caso a nova taxa seja mantida nos próximos 12 meses. O número equivale a um terço do dinheiro que o governo espera conseguir neste ano com um novo ajuste fiscal.
Neste ano, o BC aumentou os juros em 3,75 pontos percentuais. Isso vai fazer com que o governo gaste R$ 10,55 bilhões a mais no pagamento dos encargos de sua dívida, que até maio estava em R$ 562,02 bilhões, segundo dados do Banco Central.
Esse é o impacto sobre a parcela da dívida que é pós-fixada, ou seja, corrigida diariamente pela taxa Selic. Na quarta-feira, o BC elevou a Selic para 19% ao ano. Metade do endividamento público está atrelada à variação dessa taxa. O cálculo não considera o efeito que a alta dos juros terá sobre a dívida prefixada, pois, quando a taxa Selic sobe, as outras taxas de juros costumam acompanhar o movimento.
O efeito negativo que a alta dos juros tem sobre a dívida pública seria compensado se o aumento das taxas tivesse feito com que a cotação do dólar recuasse, o que não ocorreu até agora.
Toda a dívida externa do governo é calculada em dólares, embora o pagamento desses compromissos seja feito com o dinheiro arrecadado por meio de impostos pagos em reais. Além disso, 26% da dívida interna é formada por títulos públicos corrigidos pelo câmbio.
De acordo com cálculos de técnicos do Tesouro Nacional, cada 1% de alta do dólar provoca um aumento de R$ 1,7 bilhão no endividamento do governo federal. A alta de 28,2% registrada pelo dólar neste ano provocou um aumento de R$ 47,94 bilhões na dívida pública.


