Dívida pública e risco menor para o País pesaram na decisão
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quarta-feira, 04 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaEfeito cascataO ministro Pedro Malan: queda na produção em função do aumento dos juros também foi responsável pela taxa recorde de desemprego em janeiro, de 7,25% medida pelo IBGEA redução mais acentuada nas taxas de juros foi decidida porque a equipe econômica do governo considera que a crise no Sudeste Asiático e seus efeitos sobre a economia brasileira estão relativamente afastados. Amenizado esse perigo, não havia mais motivo para manter as taxas tão altas, principalmente porque elas encarecem a administração da dívida pública. Na condição de maior devedor do País, o governo federal é também o maior prejudicado pela elevação das taxas.
Os juros altos provocam outro efeito negativo sobre as contas federais: eles impediram que a arrecadação da Receita Federal crescesse no ritmo esperado no ano passado. Embora tenha atingido um valor recorde, o recolhimento de impostos e contribuições foi prejudicado pela redução no ritmo da atividade econômica.
Segundo admitiu ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, em almoço com jornalistas, a queda na produção em função do aumento dos juros também foi a responsável pela taxa recorde de desemprego em janeiro (7,25%), medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A equipe econômica avaliou que havia espaço para acelerar a trajetória de queda nos juros também porque atualmente não há pressão de demanda. Segundo comentou ontem o secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros, uma redução mais forte nas taxas de juros não provocaria um aumento na venda de automóveis e outros bens que colocasse em risco a estabilidade de preços.
Outro fator que poderia impedir uma redução mais ousada nos juros seria o descontrole nas contas públicas. Apesar de as contas do setor público terem apresentado um déficit primário correspondente a 0,67% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, o governo não considera que haja descontrole nos gastos públicos. Levando-se em conta as receitas obtidas com as privatizações, o mesmo resultado transforma-se num superávit de 1,23% do PIB.


