Dívida pública cresce, mas parcela em dólar diminui
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quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - Depois de uma piora em julho, o perfil da dívida interna em títulos do governo federal voltou a melhorar em agosto. Apesar do estoque da dívida ter subido no mês R$ 2,57 bilhões, passando de R$ 759,20 bilhões para R$ 761,77 bilhões, o Tesouro Nacional conseguiu reduzir ainda mais a dívida atrelada ao dólar e aumentar a participação de títulos prefixados, papéis que trazem menor risco de financiamento para o governo porque a sua rentabilidade é definida no leilão de venda.
Dados divulgados ontem pelo Ministério da Fazenda mostram que a parcela de títulos prefixados subiu de 15,13% para 16,66% do total da dívida. Em julho, o volume desses papéis havia caído pela primeira vez no ano refletindo uma concentração elevada de vencimentos e o cenário de maior incerteza vivido pelo mercado financeiro naquele mês, o que reduziu o apetite dos investidores por títulos prefixados e aumentou a compra de papéis pós-fixados (corrigidos pela taxa Selic).
Mantendo a trajetória dos últimos meses, a dívida cambial (títulos e contratos atrelados à taxa de câmbio) fechou o mês em 13,15% do total da dívida pública. Foi o menor valor registrado pelo governo desde que começou, em 1999, a série histórica sobre os dados da dívida pública. A dívida cambial em agosto somava R$ 100,18 bilhões, ante R$ 107,15 bilhões em julho.O Ministério da Fazenda atribuiu a queda de R$ 7 bilhões de um mês para o outro ao resgate de R$ 4,2 bilhões em títulos e contratos cambiais e ao efeito positivo da valorização do real verificada no mês (3,07%) sobre o estoque.
Com a melhora do cenário econômico em agosto, o Tesouro vendeu no mês R$ 10,3 bilhões de títulos prefixados. Em contrapartida, houve um resgate de R$ 12,5 bilhões desses papéis. De julho para agosto, o estoque de títulos prefixados aumentou de R$ 114,90 bilhões em julho para R$ 126,87 bilhões. Já a parcela de títulos atrelados à variação da taxa Selic caiu no mesmo período de 53,77% para 52,93%. Outro dado positivo foi o aumento de títulos corrigidos por índices de preço, cuja participação subiu de 15,12% para 15,36%.
A principal estratégia do governo para melhorar o perfil da dívida é justamente o aumento da participação desses papéis prefixados e dos atrelados a índices de preço, combinado com a redução dos pós-fixados.
Segundo o coordenador da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle, o Tesouro vai continuar ofertando títulos prefixados mesmo com o aumento dos juros. ''Independentemente de um aumento da taxa Selic, a decisão é de continuar buscando uma elevação da participação de títulos prefixados na dívida'', disse Valle.
Esse tipo de papel melhora para o perfil da dívida, explicou, porque aumenta a previsibilidade e reduz o risco de financiamento. Valle disse não acreditar em uma redução da demanda por prefixados, depois de um aumento de juros.
O chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto (Demab), Sérgio Goldenstein, comentou que o Tesouro vem mantendo seus leilões de venda de prefixados, mas reconheceu que a decisão do Copom pode afetar a demanda por prefixados. ''É claro que alguma incerteza com a decisão do Copom pode afetar a demanda. É natural'', afirmou. Segundo Goldenstein, o Tesouro não vem tendo dificuldade de colocar prefixados de prazo mais curtos.


