Mais uma vez, a variação cambial e a operação de reestruturação dos bancos federais fizeram com que a dívida pública federal em títulos (mobiliária) registrasse um crescimento. Ao final de julho, o estoque dessa dívida atingiu R$ 597,28 bilhões, um aumento de 2,83% em relação ao volume apurado em junho, de R$ 580,83 bilhões.
De acordo com documento divulgado ontem, em conjunto pelo Tesouro e o Banco Central (BC), mesmo com o resgate líquido de R$ 15,7 bilhões nas operações realizadas em mercado no mês passado, o total da dívida acabou crescendo R$ 16,45 bilhões por causa da emissão de títulos do Tesouro para o Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras Federais, além da variação cambial de 5,48% entre junho e julho, que também afetou o estoque.
As chamadas emissões diretas não-competitivas, ou seja, que não passam pelo mercado por meio dos tradicionais leilões de venda de títulos públicos, somaram em julho R$ 21,174 bilhões.
Boa parte destes recursos R$ 19 bilhões referem-se a emissões de papéis pós-fixados (LTNs) que foram entregues à Caixa Econômica Federal, no âmbito do programa de reestruturação dos bancos federais. O Tesouro também emitiu R$ 732 milhões em títulos com rentabilidade atrelada à variação cambial (NTN-D) para o Banco do Brasil, também respondendo às determinações do programa de ajuste dos bancos federais.
A variação cambial registrada em julho foi outro fator que contribuiu para o aumento da dívida em papéis do governo. Os títulos com correção cambial passaram a representar 27,76% do total da dívida. Em valores nominais, este títulos passaram de um volume de R$ 155,66 bilhões, em junho, para R$ 165,80 bilhões em julho. ''Esse aumento de R$ 10,14 bilhões foi provocado pela variação cambial do período'', disse o chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto (Demab) do BC, Sérgio Goldenstein.
O crescimento da participação de papéis com correção pós-fixada e consequentemente a queda do volume de títulos com correção prefixada no estoque da dívida, também revelaram que o cenário externo conturbado continua dificultando o trabalho do Tesouro de ampliar a participação dos prefixados no estoque da dívida.
Os pós-fixados passaram a representar 51,53% do estoque da dívida em títulos do governo, ante 50,24% em junho. Já os prefixados tiveram sua participação reduzida de 10,83% para 10,16%. Esses papéis já chegaram a representar 15,70% do total da dívida, em outubro do ano passado.
O prazo médio do estoque da dívida, ou seja, a média de vencimento dos papéis do governo, atingiu 35,69 meses em julho. Esse prazo vem crescendo desde março. O crescimento revela que o Tesouro, por um lado, tem conseguido atingir uma de suas metas, que é justamente alongar o prazo médio da dívida.

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