Dívida pública aumenta e chega a R$ 737,3 bilhões
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
Lu Aiko Otta eRenato Andrade<br> Agência Estado 
Brasília - O pagamento de juros e uma ligeira alta na cotação do dólar fizeram com que o saldo da dívida pública fechasse janeiro em R$ 737,34 bilhões. Foi um aumento de 0,8% sobre dezembro, apesar de o Tesouro Nacional ter resgatado mais papéis do que emitido. O resgate líquido ocorrido em janeiro foi de R$ 5,2 bilhões.
Mantendo uma trajetória iniciada em maio de 2003, a parcela da dívida corrigida pela variação do dólar continuou em queda. Ficou em R$ 155,07 bilhões, ou 21,03% do total, a menor participação já registrada desde que esse tipo de papel foi criado. Em fevereiro, essa participação deve registrar nova redução, chegando a 19%, antecipou o diretor do Departamento de Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, Sérgio Goldenstein. Em janeiro e fevereiro, todos os papéis cambiais que venceram foram resgatados, o que representou uma redução da ordem de US$ 3,4 bilhões em janeiro e US$ 4,2 bilhões em fevereiro.
Reduzir o volume de papéis atrelados ao câmbio é um dos objetivos centrais dos administradores da dívida pública. Eles também trabalham para aumentar a participação dos títulos com correção prefixada. Em janeiro, essa parte da dívida chegou a R$ 92,71 bilhões, ou 12,57% do total. Em dezembro, ela havia ficado em 12,51%.
Outro objetivo é elevar o prazo médio dos vencimentos dos papéis da dívida, o que também foi atingido. Em janeiro, o prazo médio ficou em 31,37 meses, contra 31,34 meses em dezembro. Por outro lado, o governo trabalha para aumentar o volume de negócios com papéis federais no mercado secundário, mas esse segmento teve uma queda de 15% em janeiro, na comparação com dezembro. Na avaliação do governo, essa queda é menos importante do que o fato de haver aumentado o mercado secundário para papéis prefixados, que passou de R$ 2,7 bilhões para R$ 2,9 bilhões.
O resgate líquido de R$ 5,2 bilhões da dívida em janeiro provocou aumento na liquidez bancária. Também contribuíram para aumentar o volume de dinheiro disponível na economia as operações do Banco Central no mercado de câmbio. Segundo Goldenstein, em janeiro foram gastos R$ 7,4 bilhões para comprar dólares no mercado e recompor as reservas do País.
Para neutralizar os efeitos desse aumento de liquidez, o BC aumentou o saldo líquido de suas operações compromissadas. Segundo Goldenstein, as operações de tomada de recursos feitas pelo BC semanalmente (com prazo de um mês) tiveram seu saldo líquido elevado de R$ 43,7 bilhões, em dezembro, para R$ 58 bilhões em janeiro.
Segundo o coordenador da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle, o resgate líquido da dívida não deverá repetir-se em fevereiro e março. ''Como teremos um baixo vencimento nesses dois meses, vamos fazer emissões líquidas'', disse. Nesses dois meses, o volume de vencimentos é baixo, da ordem de R$ 9 bilhões. Por essa razão, Tesouro deverá aproveitar para emitir um volume maior de títulos e recompor, assim, seu colchão de liquidez. Em abril, os vencimentos programados serão de R$ 23,190 bilhões.


