Brasília – Apesar do desempenho ruim apresentado pelas estatais federais, o superávit primário de R$ 3,015 bilhões registrado em março ajudou a manter praticamente estável o estoque da dívida pública, que fechou o mês em R$ 680,710 bilhões, o equivalente a 54,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em fevereiro, a dívida estava em R$ 679,997 bilhões, ou 54,7% do PIB. Além do ajuste fiscal, o comportamento da taxa de câmbio foi determinante para essa trajetória. Em março, o real registrou uma valorização de 1,05% em relação ao dólar e isso diminuiu os encargos financeiros sobre o estoque da dívida.
O valor alcançado no mês passado é inferior à trajetória prevista para dívida pública no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – de R$ 707,564 bilhões. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, essa trajetória é ajustada periodicamente em razão da inclusão de passivos que não estavam contabilizados, os chamados esqueletos, e dos recursos arrecadados com a venda de empresas públicas.
Pela projeção feita com os técnicos do FMI, a dívida alcançará R$ 730 bilhões no fim de setembro, quando encerra o acordo com o Fundo. A expectativa do governo brasileiro é de terminar o ano com uma dívida em torno de 54% do PIB.
Esse resultado dependerá, entre outros fatores, do comportamento do mercado de câmbio. Mais de 28% da dívida em títulos é corrigida com base na variação da cotação do dólar. Apesar de querer reduzir essa exposição às oscilações do câmbio, o governo sabe que este ano isso será difícil, já que os papéis são usados como proteção por bancos e empresas que temem instabilidade por causa do processo eleitoral.
Este mês, o governo começou a troca desses títulos cambiais por operações que combinam papéis pós-fixados com contratos de câmbio. Isso reduzirá o volume de títulos cambiais, mas a exposição ao risco taxa de câmbio permanecerá.

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