Dívida pública atinge 47% do PIB
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
Agência Estado De Brasília 
A dívida líquida total do setor público que considera as dívidas interna e externas do governo federal, dos Estados e dos municípios e desconta os valores que as três esferas de governo têm a receber fechou maio em R$ 541,097 bilhões, o correspondente a 47,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em relação a abril, a dívida cresceu em valores, mas caiu proporcionalmente ao PIB. Naquele mês, a dívida estava em R$ 536,153 bilhões, o que representava 47,5% do PIB.
Segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, até o final do ano a dívida líquida total deverá ficar abaixo de 47% do PIB. Para 2001, o governo trabalha com a projeção de fechar o ano com a dívida em, no máximo, 46,5% do PIB.
O aumento da dívida em valores ocorrido em maio, de acordo com Lopes, foi provocado pela apropriação de juros. Ou seja, o governo somou os juros devidos ao saldo da dívida. Isso é feito mensalmente para permitir que o BC tenha maior controle do endividamento total do setor público.
Da dívida total, R$ 429,466 bilhões correspondem ao endividamento interno e R$ 111,631 bilhões são referentes à dívida externa líquida. No acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a meta para a dívida líquida total foi fixada em R$ 571,921 bilhões. Portanto, apesar do aumento, o setor público ainda está cumprindo a meta com folga.
Isso ocorre porque, nos cálculos para fixar a meta, o governo usou a cotação de R$ 1,98 para o câmbio que tem ficado abaixo deste nível. Ao longo de todo o ano passado, a meta não foi cumprida porque a cotação usada foi de R$ 1,75 e o câmbio ficou acima desse valor.
A dívida mobiliária do governo federal, que é o endividamento em títulos com o mercado, fechou o mês de junho em R$ 504,521 bilhões, o que significa um aumento de R$ 6,182 bilhões em relação a maio. A apropriação de juros contribuiu com R$ 3,9 bilhões deste aumento, que foi complementado com a venda de papéis de R$ 4,2 bilhões no mercado secundário.
Somados os juros e as vendas, o aumento seria de R$ 8,1 bilhões. Mas, ao mesmo tempo, no entanto, o governo resgatou R$ 1,9 bilhão em outros títulos, o que resultou na variação de R$ 6,182 bilhões.


