Dívida pressiona de novo e dólar sobe
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segunda-feira, 21 de outubro de 2002
Agência Folha 
São Paulo O dólar iniciou a semana em alta de 1,03%, vendido a R$ 3,91. Mais uma vez, a proximidade de um vencimento de dívida do governo atrelada ao câmbio definiu o comportamento da moeda.O risco-país brasileiro, calculado pelo banco JP Morgan, fechou em alta de 0,7%, a 1.961 pontos.
O indicador oscilou bastante e chegou a subir forte após o anúncio da agência de avaliação de risco Fitch, que rebaixou a classificação para o Brasil (Leia matéria nesta página).
O governo tentou ontem, por duas vezes, iniciar a rolagem de cerca de US$ 1,1 bilhão em dívida pública vinculada ao dólar, que vence amanhã. Pela manhã e à tarde, ofereceu leilões de ''swap'' com vencimento em 1º de dezembro ao mercado, mas recusou as propostas nas duas oportunidades.
A falta de demanda pelos contratos estaria inflando as taxas pedidas pelo mercado para permanecer com o papel. O Banco Central informou que tentará, novamente, hoje, renovar o vencimento, ofertando papéis com vencimento em 1º de dezembro. A autoridade monetária também confirmou que vendeu dólares ao mercado ontem.
Segundo operadores, para estipular as datas para a rolagem dos papéis, o BC faz uma consulta a vários bancos para definir qual o prazo que atrairá o maior número de interessados. ''Continua a sensação no mercado de que, mais uma vez, grande parte desse vencimento não será renovado'', afirma Maurício Zanella, do banco Lloyds TSB.
''Acredito que isso pressionará um pouco mais o dólar amanhã (hoje), mas o que dará um rumo mesmo para os negócios nos próximos dias serão as sinalizações vindas do PT sobre um provável governo Lula'', diz. As indicações petistas têm agradado aos investidores, em especial por conta do comprometimento com a disciplina fiscal.
Além do vencimento de dívida pública, amanhã, há, pelas contas do mercado, cerca de US$ 500 milhões em dívidas do setor privado que vencem neste mês e que não serão renovados.
A deterioração do cenário internacional e as incertezas sobre o futuro político do País tornaram caros os juros a serem pagos para a rolagem dos débitos, o que desencoraja as instituições. Empresas e bancos têm de comprar dólares no mercado, o que pressiona o câmbio.


