Brasília - Com a nova meta de 4,5% de superávit primário das contas públicas, a dívida líquida do setor público deve fechar o ano em torno de 55% do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa foi feita ontem pelo Banco Central (BC). Esse será o impacto da economia adicional de R$ 4,2 bilhões que o governo federal anunciou que fará esse ano para diminuir o endividamento público. A previsão anterior, que considerava um superávit primário menor de 4,25%, indicava que a dívida ficaria em torno de 57% do PIB.
Em agosto, a dívida líquida voltou a cair e bateu nos 54,1% do PIB, depois de ter recuado de 55,8% para 55% de junho para julho. Com esse resultado, o valor da dívida atingiu o menor porcentual desde os 52,7% verificados em abril do ano passado. O resultado primário de R$ 10,93 bilhões e o impacto da apreciação cambial de 3,07% verificada no mês mais do que compensaram as despesas de R$ 11,58 bilhões com encargos de juros que incidem sobre o estoque da dívida. O estoque da dívida sofreu uma redução de R$ 4,34 bilhões, passando dos R$ 945,65 bilhões de julho para R$ 941,31 bilhões em agosto.
Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, queda da dívida é o dado mais importante das contas públicas divulgadas ontem. ''O recuo da relação dívida líquida e PIB é bastante significativo. A dívida tem caído de forma sistemática'', disse Lopes. Ele destacou a queda de 4,6 pontos porcentuais da dívida de dezembro de 2003 para agosto deste ano. O chefe do Depec atribuiu essa queda à menor participação da dívida indexada à taxa de câmbio, à acomodação da taxa de câmbio e aos superávits primários. ''Todas as esferas de governo vêm apresentando resultados superavitários e algumas delas inclusive recordes'', disse Lopes.
De acordo com ele, a sensibilidade da dívida líquida do setor público ao câmbio está agora em 0,15% a cada oscilação de 1% da cotação do real frente ao dólar norte-americano. ''Em agosto do ano passado, este porcentual estava em 0,21%'', disse. A redução é uma conquista alcançada pela política do BC de promover uma diminuição das rolagens da dívida atrelada ao câmbio.
''A parcela da dívida líquida atrelada ao câmbio em agosto de 2002 era de 41,2% e estava em 21,3% em agosto último'', disse o chefe do Depec. Em agosto do ano passado, o porcentual da dívida líquida indexada ao câmbio estava em 29,6%.

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