Dívida líquida do Tesouro cresceu 17%
A dívida líquida do Tesouro Nacional em poder do mercado apresentou forte crescimento em maio, em comparação com abril. Ela atingiu R$ 165,773 bilhões, contra R$ 140,753 bilhões, um salto de 17,7%. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a dívida líquida do Tesouro passou de 15,4% do PIB para 18% do PIB. O crescimento foi registrado sobretudo na dívida interna em poder do público, que saltou de R$ 35,444 bilhões para R$ 57,536 bilhões.
Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, o crescimento reflete um processo que ocorre desde o início do ano, quando títulos do Tesouro passaram a substituir papéis do Banco Central a cada vencimento. A idéia, segundo explicou Guimarães, é que no futuro somente o Tesouro emita papéis federais.
Também a dívida externa teve crescimento, passando de R$ 105,309 bilhões para R$ 108,238 bilhões. Isso ocorreu, segundo Guimarães, devido à desvalorização do real ao longo do mês de maio. A dívida mobiliária total, que considera também os títulos do Tesouro em poder do Banco Central, atingiu a cifra de R$ 419 992 bilhões, contra R$ 399,044 bilhões em abril.
Guimarães anunciou, ainda, que utilizou R$ 63,7 bilhões em recursos que estavam no caixa do Tesouro Nacional para adquirir títulos de sua responsabilidade que estavam em poder do Banco Central. O Tesouro sempre manteve segredo sobre seu saldo de caixa, mas agora decidiu explicitar pelo menos parte do valor. O BC venderá os papéis ao Tesouro com compromisso de recompra a qualquer momento.
Desde que começou a substituir os papéis do BC por seus, o Tesouro passou a acumular um elevado saldo de caixa. ‘‘Mas não é dinheiro que se possa gastar ou resgatar dívida’’, disse o secretário. Qualquer dessas operações provocaria aumento na liquidez do mercado, o que obrigaria o Banco Central a emitir outros papéis para restringi-la. Além disso, o Tesouro tem por estratégia manter reservas de caixa para enfrentar eventuais turbulências no mercado que o impeçam de leiloar títulos. A aquisição dos papéis que estavam em poder do BC são apenas uma forma de dar transparência a parcela do saldo de caixa, segundo explicou Guimarães.

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