Dívida interna já atinge R$ 979 bilhões
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terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Folhapress 
São Paulo - A dívida interna do país em títulos públicos emitidos pelo governo federal bateu R$ 979,9 bilhões em 2005 e deverá crescer até 22,5% neste ano, afirmou ontem, em São Paulo, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. Caso a projeção seja confirmada, o estoque de papéis em poder do mercado corresponderá a R$ 1,2 trilhão em 31 de dezembro. Desde o início do atual governo, a dívida mobiliária federal interna saltou 57,2%. Ao final de 2002, o valor correspondia a R$ 623,2 bilhões.
Levando-se em conta também títulos e contratos negociados no mercado externo, o Brasil fechou 2005 devendo R$ 1,16 trilhão. Esse total, conforme os técnicos do Tesouro, pode subir até R$ 1,36 trilhão neste ano.
Os números foram apresentados durante a divulgação do Plano Anual de Financiamento da dívida pública (PAF). A pretensão da equipe econômica, explicou Levy, é melhorar o perfil da dívida mobiliária federal interna em 2006, diminuindo a proporção de títulos pós-fixados (aqueles corrigidos pela taxa Selic - os juros básicos do país, hoje em 18% ao ano) e cambiais (atrelados à moeda estrangeira). Em compensação, o Tesouro deverá ofertar papéis com remuneração prefixada.
Quando precisa de dinheiro, o governo procura uma forma de se financiar. Pode pegar dinheiro emprestado no exterior, prensar mais papel-moeda ou emitir títulos. Esses papéis têm a promessa de que serão recomprados no futuro pelo governo, sob determinadas condições.
Uma delas é o tipo de correção monetária à qual o título está submetido. Atualmente, 51,8% da dívida mobiliária federal em poder do mercado é atualizada de acordo com os juros básicos. Como no Brasil a taxa está entre as maiores do mundo, a conta fica ''salgada''.
''A intenção é baixar esse percentual para algo em torno de 40% em 2006'', disse o secretário. A equipe econômica espera ainda aumentar o prazo médio dos títulos, de 27,4 meses para até 35 meses, e desconcentrar vencimentos. Assim, levando-se em conta dívida principal e juros, a fatia de papéis que vencem em 12 meses diminuiria para cerca de um terço do total registrado.
Nos cálculos do Tesouro, a necessidade de financiamento do governo federal em 2006 será de R$ 419,4 bilhões. Desse total, R$ 451,4 bilhões correspondem à dívida interna. Levy lembrou que o Brasil está comprando moeda estrangeira para recompor as reservas internacionais e, portanto, angariar recursos para honrar suas obrigações. O Tesouro, por meio da emissão de títulos, captou até agora US$ 4,5 bilhões. Comprou antecipadamente outros US$ 5,5 bilhões. Ao todo, o dinheiro é suficiente para garantir o pagamento da dívida externa até novembro.


