A dívida do governo federal no mercado financeiro (mobiliária) aumentou 22,2% no ano passado em relação a 2000. O total de R$ 624,08 bilhões em títulos públicos ultrapassou as expectativas iniciais do governo para a evolução dessa dívida.
Esse total é três vezes superior ao que a Receita arrecada por ano, mas não considera o que o governo tem a receber de diversos setores, como Estados e municípios. Mais da metade do crescimento aconteceu na parcela da dívida que é corrigida pela variação do dólar.
As sucessivas crises do ano passado influenciaram a cotação da moeda americana, que teve uma valorização acumulada de 19%.
No início de 2001, o Tesouro Nacional divulgou um plano para o refinanciamento da dívida mobiliária que previa um total de R$ 548,4 bilhões em dezembro. Na pior das hipóteses, segundo os planos do Tesouro, ela chegaria a R$ 568,7 bilhões ao final do ano.
Mas, além da evolução do dólar, o governo federal também teve que lidar com o programa de ajuda aos bancos federais, que aconteceu entre julho e agosto de 2001. O Tesouro repassou R$ 12,5 bilhões em títulos às instituições financeiras para capitalizá-las.
O Tesouro Nacional conseguiu alongar um pouco mais os vencimentos da dívida, mas essa performance teve um custo alto.
Para conter a alta do dólar e o nervosismo no mercado financeiro devido aos atentados nos Estados Unidos e à crise argentina, o Tesouro passou a emitir mais títulos corrigidos pelo câmbio e pela variação da Selic (taxa básica de juros).
Somente de títulos cambiais líquidos (descontados os vencimentos) foram emitidos R$ 28,1 bilhões no ano passado.
Esses títulos têm prazos longos, de até cinco anos, mas pioraram a composição da dívida. Antes das crises, o Banco Central vinha tentando reduzir o estoque de títulos corrigidos pelo dólar porque eles tornam a administração da dívida mais arriscada.
Também os títulos corrigidos pela Selic diminuem a possibilidade de prever quanto será pago de juros porque a correção só é conhecida no vencimento. A participação no total da dívida dos títulos prefixados, que têm a correção definida no momento da venda, caiu pela metade entre 2000 e 2001. Em dezembro do ano passado, ela era de apenas 7,82%.

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