SÃO PAULO - O volume da dívida externa dos países latino-americanos continua aumentando, embora os organismos multilaterais de crédito insistam em afirmar que a chamada ‘‘crise da dívida’’ tenha terminado. De acordo com dados divulgados ontem em Barcelona pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), durante a 38ª Assembléia Geral, a dívida externa dos países da América Latina no ano passado cresceu US$ 27 bilhões em relação ao ano anterior e já é US$ 150 bilhões superior ao volume registrado no início da década.
Os dados do BID mostram que a maioria dos países se endividou mais, salvo algumas exceções. No final da década de 80, a iniciativa do então secretário do Tesouro dos EUA, Nicholas Brady, fez reduzir, em parte, a dívida de alguns países. No entanto, as cifras divulgadas pelo BID indicam que, se a América Latina e o Caribe tinham em 1987 um volume de dívida de US$ 444,86 bilhões, nove anos depois essa cifra subiu para US$ 603,69 bilhões, um aumento de quase 50%.
Entre os países cujas dívidas vêm apresentando aumento estão a Argentina, que em 1996 tinha US$ 96,53 bilhões, frente aos US$ 85,09 bilhões do ano anterior e US$ 62,23 no início da década. Caso similar é o do México, cuja dívida no ano passado era de US$ 168,5 bilhões, US$ 10 bilhões a mais em relação a 1995 e US$ 64 bilhões superior sobre o verificado em 1990.
Sobre o Brasil, o BID diz que o volume da dívida parece ter se estabilizado nos últimos anos em torno de US$ 155 bilhões, contra US$ 120 bilhões no ínicio da década. Esse também é o caso do Chile, Colômbia, Costa Rica, entre outros, que tiveram suas dívidas estabilizadas nos últimos anos.

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