Dívida externa atinge US$ 225 bilhões
Arquivo FolhaLado positivoAltamir Lopes, do Banco Central: Dívida de curto prazo foi reduzida em R$ 6,6 bilhões neste ano, o que mostra um alongamento do prazo da dívida externaA dívida externa brasileira atingiu US$ 225,264 bilhões em setembro e já é quase cinco vezes superior às reservas em moeda estrangeira do Banco Central. As reservas fecharam em US$ 45,811 bilhões em outubro, pelo conceito de liquidez internacional, que inclui moeda estrangeira prontamente disponível e créditos de médio e de longo prazos.
Pelo conceito de caixa, que inclui apenas moeda prontamente disponível, as reservas fecharam em US$ 41,562 bilhões em outubro. Em junho, antes da fuga de dólares causada pela crise russa, a dívida externa, de US$ 228,186 bilhões, correspondia a 3,22 vezes as reservas internacionais, que eram de US$ 70,898 bilhões. Em setembro, a dívida passou a representar 4,91 vezes as reservas, que naquele mês fecharam em US$ 45,811 bilhões.
A relação entre a dívida externa e as reservas internacionais é um dos indicadores da vulnerabilidade do País a crises internacionais. De junho para setembro, as reservas encolheram US$ 25,087 bilhões, mas o endividamento externo não sofreu a mesma redução - sua queda no período foi de apenas US$ 2,922 bilhões.
Isso significa que a maior parte do dinheiro que saiu do País durante a crise não foi usada para resgatar dívida externa. Ou seja, o País terminou com reservas menores e endividamento alto. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirma que, embora a dívida total não tenha sofrido baixa expressiva no período, os débitos de curto prazo decresceram. A dívida de curto prazo foi reduzida em US$ 6,6 bilhões neste ano, o que é positivo, pois isso mostra um alongamento do prazo da dívida externa, disse.
Os empréstimos de longo prazo, com vencimentos superiores a um ano, são considerados mais favoráveis porque, quando há crises, os recursos demoram mais a sair do País. Desde a crise asiática, em outubro do ano passado, o país vem registrando crescimento expressivo da dívida externa, que passou de US$ 199,998 bilhões para US$ 225,264 bilhões, entre dezembro de 1997 e outubro de 1998.
Com isso, a dívida externa, que equivalia a 24,88% do PIB (Produto Interno Bruto) em dezembro de 1997, subiu para 28,49% do PIB em outubro passado. A dívida externa subiu porque, desde a fuga de recursos da crise asiática, o BC adotou políticas para incentivar captações no exterior e, assim, recompor as reservas.
A estratégia deu resultado durante alguns meses, quando a reserva chegou ao volume recorde de US$ 74,656 bilhões. Mas, com a crise russa, os dólares acumulados deixaram o país e o endividamento externo permaneceu alto. As reservas baixaram porque saíram grandes somas de recursos estrangeiros que estavam aplicados em renda fixa e nas Bolsas e também houve fugas expressivas pelas chamadas contas CC-5 (mantidas por não-residentes).





