Dívida em dólar diminui lucro da Copel
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de agosto de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A dívida em dólar da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi a responsável pela redução do lucro da estatal no primeiro semestre do ano. A valorização da moeda norte-americana, que chegou a 22% no segundo trimestre, provocou prejuízo de R$ 53,4 milhões à empresa no período. Com isso, o lucro da Copel que era de R$ 141,8 milhões no primeiro trimestre caiu para R$ 83,4 milhões no fechamento do semestre.
O lucro bruto da empresa foi de R$ 130,8 milhões no segundo trimestre e de R$ 368,3 milhões no semestre. Mas sofreu impacto dos gastos da companhia na compra de energia da Usina de Itaipu e da Argentina, cujos contratos são indexados ao dólar. O reflexo do câmbio só não foi maior sobre o balanço da empresa porque a Copel reduziu sua exposição em dólar a partir de maio, com a reestruturação do perfil da dívida - informou o diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Ricardo Portugal Alves.
Conforme noticiou a Folha na época, a empresa optou por emitir R$ 500 milhões em debêntures, repactuou uma dívida de US$ 150 milhões em eurobônus e quitou um lote de US$ 67 milhões em ''euro commercial papers''. Essa operação reduziu a proporção das dívidas em dólar, que eram de 63% sobre o total em 31 de março e passaram para 46% no final de junho.
No final do primeiro semestre, a dívida da Copel somava R$ 1,953 bilhão, sendo R$ 906 milhões em moeda estrangeira. Portugal ressalva, no entanto, que menos de 10% do total da dívida (R$ 175 milhões) apresentam vencimento no curto prazo.
Além da influência do câmbio, o resultado do balanço da Copel foi influenciado pela redução no consumo de energia, que aumentou apenas 0,8% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento foi puxado pelos segmentos industrial e rural, porque no consumo residencial houve retração de 3,3%. Os consumidores ainda estão sob o impacto do apagão e descobriram que podem continuar economizando energia.
A receita líquida da Copel no segundo trimestre foi de R$ 618,3 milhões, acumulando R$ 1,2 bilhão entre janeiro e junho. A venda de energia aumentou apenas 0,8% no primeiro semestre, frente ao mesmo período do ano passado, e somou 8,7 mil gigawatts hora (GWh).
Segundo o relatório da diretoria, a Copel gerou 8,9 mil GWh no semestre e comprou 2,4 mil GWh de Itaipu. Outra fonte importante foi a energia trazida da Argentina pela Cien, empresa do grupo Endesa, que supriu mais 571 GWh.
A expectativa dos analistas de mercado para o desempenho da Copel é que no terceiro trimestre o resultado contábil continue sob a influência das turbulências provocadas pela oscilação cambial, para melhorar no quarto trimestre quando toda a economia pode ser beneficiada com a melhora nas vendas do comércio e indústria.


