Dívida dolarizada sobe 260%
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sábado, 10 de agosto de 2002
Marcelo Rehder<BR>Agência Estado. 
A dívida das empresas em moeda estrangeira explodiu no primeiro semestre do ano em comparação com o mesmo período de 2001. Um levantamento da consultoria Austin Asis com 44 companhias abertas mostra que a dívida aumentou 260%. Passou de R$ 10,373 bilhões no fim de junho do ano passado para R$ 37,442 bilhões agora. Cresceu também a participação relativa do dólar como indexador dos débitos dessas empresas, de 29% para 71% do total.
Para a analista Sueli de Oliveira Melo, responsável pelo estudo, embora as empresas tenham se garantido contra as grandes oscilações do câmbio, por meio de operações de hedge (seguro), a evolução da dívida em moeda estrangeira está diretamente ligada à disparada do dólar nos últimos meses. Só de abril a junho, a moeda americana acumulou valorização de 22,4% em relação ao real.
''Poucas empresas se arriscaram a buscar novos recursos lá fora, tanto para capital de giro como para investimentos. Mesmo as que necessitam de matérias-primas importadas devem ter retardado ao máximo seus pedidos'', observa a analista da Austin Asis.
O trabalho da consultoria engloba as 44 empresas que já tinham divulgado balanço até a última quinta-feira. Ele mostra que as empresas de telecomunicações estão entre as mais endividadas em moeda estrangeira. A soma das dívidas em dólar de oito empresas (Tele Celular Sul, Tele Leste Celular, Tele Nordeste Celular, Tele Sudeste Celular, Telemar, Telemar Norte-Leste, Telepar Celular e Telesp) chegou a R$ 12,898 bilhões em junho deste ano, o equivalente a 72,25% do débito total do grupo. Bem maior do que os R$ 4,538 bilhões (38,39%) registrados em junho do ano passado. Entre as teles, a campeã é a Telemar, cujo débito em moeda estrangeira atingiu R$ 6,707 bilhões em junho passado, o equivalente a 75,8% de sua dívida total.
No setor metalúrgico e siderúrgico, foram analisadas dívidas de oito empresas (Aços Villares, Belgo Mineira, Confab, Ferro Ligas, Forja Taurus, Gerdau, Companhia Siderúrgica Tubarão e Wetzel S.A.). A soma dos débitos em dólar cresceu de R$ 2,280 bilhões (32,88%) em 2001 para R$5,765 bilhões (67,53%). Já dívida externa dos cinco fabricantes de papel e celulose analisados (Aracruz, Bahia Sul, Klabin, Ripasa e VCP) somou R$ 7,690 bilhões, contra R$ 931 milhões em junho do ano passado. Trata-se de grandes exportadoras e que, portanto, contam com proteção (hedge) natural contra as oscilações do dólar. Nesse período, a participação de moeda estrangeira no endividamento total aumentou de 20,7% para 75%.


