Brasília - O secretário de Política Agrícola, Bernardo Appy, do Ministério da Fazenda, disse ontem que um estudo feito pelo governo indicou que a dívida do setor rural é de R$ 87 bilhões. Este valor não considera as dívidas de custeio da safra atual e os investimentos desde a safra 2006/07. Para fazer o levantamento, foram analisados 3 milhões de operações de crédito rural. O secretário participou ontem de uma reunião no ministério da Agricultura, que contou com a participação do ministro Reinhold Stephanes, parlamentares da bancada ruralista e representantes dos produtores e de cooperativas.
Segundo o secretário, o governo resolveu fazer o estudo, porque a questão do endividamento é objeto de ''alguma preocupação entre os produtores rurais''. Da dívida total, R$ 74 bilhões são do setor empresarial e R$ 13 bilhões dos agricultores familiares, ou seja, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Appy disse também que o governo vai apresentar uma proposta de renegociação até o dia 25 de março, e garantiu que na reunião de ontem não foram discutidos os valores que poderão ser renegociados.
Segundo ele, a proposta que será apresentada até o final do mês tem duas diretrizes: a primeira, é dar condições de adimplência aos produtores que estão inadimplentes, eliminando ''gorduras'' que possam ter elevado os débitos. ''O governo quer estimular o pagamento das dívidas'', afirmou. O outro assunto que está sendo discutido é como será feita a correção dos débitos a partir do momento que os produtores ficaram inadimplentes. Segundo o secretário, serão concedidos descontos progressivos para os produtores que quitarem dívidas antigas. ''Não falamos em prazo, nem condições'', disse.
Ele informou que hoje integrantes dos ministérios da Fazenda e da Agricultura concederão uma entrevista coletiva para dar mais detalhes sobre o estudo. Appy afirmou ainda que a proposta do governo é ''ousada'', mas que garantirá a solidez fiscal. ''A meta é limpar o passado'', disse. Ele acrescentou que não há proposta para renegociação da dívida total de R$ 87 bilhões, mas afirmou que parte relevante será renegociada.

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