Dívida do governo já ultrapassa R$ 900 bi
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quinta-feira, 21 de julho de 2005
Ney Hayashi da Cruz<br>Folhapress 
Brasília - Os elevados juros praticados no Brasil elevaram em aproximadamente R$ 67 bilhões o endividamento do governo federal ao longo do primeiro semestre. No mês passado, a dívida contraída pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central por meio da emissão de títulos somava R$ 905,51 bilhões.
De acordo com dados do Tesouro, 56,6% desses papéis são corrigidos pela taxa Selic, fixada pelo BC. Atualmente, a taxa está em 19,75% ao ano, a mais elevada desde 2003 - por isso o forte impacto na dívida pública.
Mas, apesar do alto índice, caiu a proporção de títulos atrelados à Selic em relação ao total da dívida. Por outro lado, subiu um pouco a proporção de títulos prefixados, o que é bom para a administração da dívida como um todo.
No mês passado, 92% dos títulos públicos em circulação no país estavam nas mãos de bancos e de fundos de investimento, que são aqueles que mais se beneficiam com os elevados juros praticados pelo BC.
Os números anunciados ontem estão dentro do previsto pelo governo, segundo o coordenador-geral da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle. ''Está tudo dentro do planejamento'', diz ele. O plano traçado pelo Tesouro no final do ano passado previa que o total de títulos públicos negociados no mercado encerraria 2005 numa faixa entre R$ 940 bilhões e R$ 1 trilhão, meta que, repetidos os resultados dos últimos meses, deve ser alcançada.
Para o economista Manuel Enriquez Garcia, professor da Universidade de São Paulo (USP), uma queda mais forte da taxa Selic depende de um maior controle dos gastos públicos. É que, como o governo gasta mais do que arrecada, os juros precisam ser elevados para que o déficit seja financiado.
O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Gomes de Almeida, concorda com a necessidade de controlar os gastos públicos para promover uma queda dos juros, mas afirma que pequenas reduções já poderiam estar em curso.
Na quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu manter a taxa Selic em 19,75% ao ano por mais um mês. Estudo feito pelo Iedi mostra que, se a Selic se reduzisse a 12% ao ano e se a cotação do dólar se estabilizasse em R$ 3,20, o governo economizaria R$ 60 bilhões por ano em despesas com juros - atualmente esses gastos somam aproximadamente R$ 120 bilhões. ''Mas mudanças na política econômica significam mudar pessoas. Hoje um grupo que privilegia o sistema financeiro está encastelado no comando da política econômica'', diz Almeida.


