A dívida do Banco Nacional, que ainda está em liquidação extrajudicial, com a União é de R$ 13,9 bilhões, segundo informações oficiais do dia 31 de dezembro. A dívida total do Nacional é de R$ 15,5 bilhões.
Os recursos que o banco tem para saldar a dívida estão sendo procurados pelo liquidante Abdiel Andriolo de Andrade, nomeado pelo Banco Central. Andrade informou à Agência Estado, por e-mail, que não há prazo para o fim da liquidação e que ‘‘hoje busca-se a realização de todos os ativos, de sorte a encontrar recursos para saldar compromissos da massa liquidanda’’.
O problema é que esses ‘‘ativos’’ do Nacional são os que o Unibanco não quis levar quando, em novembro de 1995, comprou a chamada parte boa do Nacional, incluindo toda a rede de agências, clientes e funcionários.
Desde 1986, o Banco Nacional tinha mais dívidas que recursos para pagar, mas conseguiu esconder seu rombo por quase dez anos por meio de fraude na contabilidade dos balanços, colocando créditos fictícios em 1.046 contas. Dessas, 652 contas ainda estavam ativas em 18 de novembro de 1995, o sábado em que o então presidente do BC, Gustavo Loyola, decretou o Regime Especial de Administração Temporária (Raet) e pediu à Justiça a indisponibilidade dos bens de todos os integrantes da diretoria e dos acionistas majoritários. Junto com a decretação do Raet, o BC concedeu um financiamento do Proer, criado duas semanas antes, para equilibrar o patrimônio de uma parte do banco, a que foi vendida ao Unibanco.

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