As dívidas acumuladas com os avicultores integrados à DaGranja Agroindustrial, da Lapa, a 70 quilômetros de Curitiba, desde dezembro até o mês de junho também entram na concordata pedida pela empresa essa semana. Com isso, os produtores que têm em torno de R$ 2 milhões a receber serão pagos em dois anos, sendo 40% no fim do primeiro ano e 60% no segundo ano. O pedido de moratória aos integrados, fornecedores e bancos foi a alternativa que a empresa encontrou para livrar-se da pressão das dívidas, que vinham sufocando a empresa no dia-a-dia, afirmou o advogado José Hipolito Xavier da Silva.
Já as atividades que se seguem daqui para frente serão pagas mas os fornecedores não podem ser muito rígidos, exigindo pagamento à vista, caso contrário a sorte da empresa não será das melhores, afirmou o advogado. O abalo na região Sul do Estado é grande e as consequências podem ser dramáticas disse o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná, Acir Antonio Fiori Murbach. São 780 avicultores entre Paraná e Santa Catarina, que estavam na ilusão de que iriam receber os atrasados.
O sindicato que abriga a maioria dos avicultores integrados, promete uma mobilização nos próximos dias para denunciar o drama social criado na região com a concordata da empresa.
Desde 98, as dívidas com os credores somam R$ 68 milhões, segundo o advogado, dos quais a empresa deve R$ 2 milhões para os avicultores integrados e mais de R$ 4 milhões para a Cooperfrete, que congrega cerca de 500 caminhoneiros que fazem o transporte da produção da DaGranja para todo o País. São 780 avicultores entre Paraná e Santa Catarina, que desde dezembro estão recebendo apenas os pintinhos e os insumos repassados pela DaGranja. Mas o pagamento da ave pronta para o abate vem sendo postergado. Os produtores é que vêm arcando com os custos complementares como o pagamento do gás, cama de frango e transporte dos animais até a empresa.
O produtor integrado Luiz Steklain, integrado da DaGranja há seis anos, estava esperançoso em receber da empresa. Disse que entrega entre 10 mil e 12 mil aves por lote, a um preço médio de R$ 0,21 por cabeça e há três lotes (desde o início do ano que não recebe). Ele não chegou a se endividar porque a atividade com a pecuária leiteira, que mantém na propriedade, está em recuperação e está ajudando a bancar os custos com a avicultura.
Mas há muitos produtores endividados na região da Lapa por conta da concordata da DaGranja, disse o produtor. É que, segundo ele, muitos produtores fizeram investimentos na propriedade até estimulados pelo plano de expansão da empresa e agora devem no banco. O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura, Luiz Antonio Schimidt Bueno, tem R$ 7 mil a receber da empresa, e para um pequeno avicultor essa quantia é alta, destacou.
A empresa abate em torno de 400 mil aves por dia e mantém produtores integrados em toda a região Sul do Paraná. Ela movimenta a economia da Lapa, disse o diretor do Sindicato. Segundo Murbach, os produtores vinham sendo iludidos com a proposta da empresa que iria desativar sua unidade na Argentina, para reforçar as unidades do Paraná e Minas Gerais. Os produtores foram relevando, na expectativa de que isso iria acontecer. Mas foram surpreendidos com a decisão da concordata.

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