Dívida dá lucro para quem pode aplicar no mercado
Há divergências entre os economistas, dentro e fora do governo, sobre quem pagará a conta do endividamento público. É fato que alguns até ganham com a dívida: aqueles que têm dinheiro para aplicar no mercado financeiro e lucram com os juros altos. Mas ninguém contesta que todos os brasileiros acabam pagando uma parcela.
Sem dúvida, não existe mágica, e o governo não fabrica dinheiro: a sociedade paga com tributos ou com a redução de serviços (prestados pelo Estado), avalia o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Martus Tavares, que estuda um novo corte no Orçamento.
O corte, negociado com o FMI em troca do repasse de mais uma parcela do empréstimo externo de US$ 41,5 bilhões, tem como objetivo encolher ainda mais os gastos do governo, produzir superávits primários (não conta o pagamento de juros) e impedir que a dívida pública dispare. Podem dizer que a dívida está crescendo para pagar juros, mas é importante destacar que a origem de tudo foi o governo ter gasto mais do que tinha. A sociedade deve ter usufruído de alguma forma.
Para o economista Raul Velloso, o impacto da dívida não é igual no bolso de todos os brasileiros. A dívida per capita esconde muita coisa, alega. Segundo Velloso, é preciso observar quem paga o aumento dos tributos e quem é atingido diretamente pelos cortes de gastos, que não têm poupado a área social. Precisamos perguntar se pobre paga imposto e se pobre se beneficia dos gastos públicos, insiste. A população pobre certamente paga mais impostos indiretos, embutidos em praticamente todos os bens e serviços. Para quem tem renda maior sobra uma conta mais pesada. Já na ponta dos serviços públicos, sofre mais quem é mais pobre.





