Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou o terceiro trimestre de 2004 com um endividamento de 35,1% sobre o patrimônio líquido da empresa estatal. A dívida chega a R$ 1,8 bilhão, o equivalente a R$ 18,84 por lote de mil ações. O índice é 3,4% superior ao mesmo período do ano passado. O patrimônio líquido da Copel está avaliado em R$ 5,1 bilhões. Os dados fazem parte do balancete trimestral divulgado ontem pelo Departamento de Relações com Investidores da Copel.
  Apesar do endividamento da estatal ter sido superior ao do mesmo período do ano passado, a empresa apresentou crescimento do número de clientes internos e de consumo. O resultado foi um lucro operacional de R$ 469 milhões entre os meses de janeiro e setembro deste ano. Somente no terceiro trimestre, o lucro operacional foi de R$ 196,3 milhões. Já o lucro líquido (descontadas as despesas) chegou a R$ 297,7 milhões entre janeiro e setembro e R$ 125 milhões, se avaliado apenas o terceiro trimestre deste ano. Se for levado em consideração o chamado Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortizações (Lajida), a Copel somou R$ 711,6 milhões durante o ano e R$ 253 milhões no terceiro trimestre.
  A Receita Operacional Líquida da Copel entre janeiro e setembro foi de R$ 2,7 bilhões, um aumento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. No terceiro trimestre, a receita foi de R$ 984,8 milhões. O mercado teve um crescimento total de 1,8% no consumo em relação ao ano passado, fechando em 13.229 gigawatts por hora (gw/h). A classe comercial foi a que mais cresceu: 6,1%. Principalmente por conta da modernização do setor e da implantação de 9 mil novas unidades comerciais. A classe rural teve um crescimento de 5,9% por conta do aumento nas atividades agropecuárias e nas exportações. Mesmo o consumo residencial teve crescimento de 1,9%, com 66,7 mil novos consumidores cadastrados. Apenas sofreu redução o consumo industrial, que caiu -1%.
  A inadimplência em setembro somou 2,7% do total do faturamento, chegando a R$ 119 milhões. O índice foi mais alto do que em dezembro de 2003, quando a inadimplência somava R$ 114 milhões. Os principais motivos para a alta inadimplência foram os reajustes tarifários de janeiro (15% em média) e junho (9%). Atualmente, a Copel tem 3,1 milhões de clientes no Paraná, 2,8% a mais do que em 2003.
  O setor de telecomunicações teve queda no faturmento total da Copel de 6,8%. Em 2003, o setor gerou R$ 51 milhões de receita bruta na estatal. Neste ano, a receita não ultrapassou R$ 47,5 milhões. As despesas operacionais aumentaram 20,6%. De R$ 1,8 bilhão em 2003, passou para R$ 2,2 bilhões em 2004. Um dos principais motivos foi a despesa com pessoal que teve variação de 14,6% por conta de reajustes ocorridos em outubro de 2003 (10%) e março de 2004 (5,5%). Também tiveram acréscimo em valores as despesas com plano previdenciário e assistencial, materiais, energia comprada e encargos de uso do sistema de transmissão.
  O balanço da Copel mostrou que a empresa tem hoje como ativos (balanço e programas de investimentos) um montante total de R$ 9,6 bilhões.

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