O governo do Paraná está repassando todos os meses para a Secretaria do Tesouro Nacional uma quantia que gira em torno de R$ 33 milhões, segundo a Secretaria de Fazenda. O dinheiro é para amortizar a dívida que o Estado formou com o governo federal devido ao saneamento e posterior privatização do Banestado, em outubro do ano passado. O pagamento do débito se dará pelos próximos 30 anos, com juros anuais de 6%. A dívida total se aproxima de R$ 4,1 bilhões e será arcada pelos próximos sete governadores. No final do perído o Estado terá pagado R$ 12 bilhões, o dobro do dinheiro que liberado para o saneamento.
‘‘Com o passar do tempo teremos uma redução nas prestações, pois o saldo devedor vai reduzindo’’, afirmou o chefe da Coodenação de Administração Financeira do Estado, Almedes Martins de Oliveira. O dinheiro é pago todo dia 30 de cada mês.
O valor já foi reduzido em comparação à época da privatização, quando o montante chegava a R$ 5,8 bilhões. ‘‘Mas ainda pesa muito no nosso orçamento’’, disse ontem o secretário de Governo José Cid Campêlo Filho. O total se refere ao dinheiro que o Banco Central injetou no Banestado para tirar a instituição financeira do vermelho. O processo de saneamento durou de julho de 1998 até o final de 1999 e foi comandado, em sua maior parte, pelo então presidente do banco, Reinhold Stephanes.
Desde julho de 2000, a Secretaria da Fazenda faz o envio mensal das parcelas para Brasília. Nos meses que antecederam o leilão de privatização, o governo do Estado conseguiu prorrogar o pagamento. Mas com a venda, terminou a carência.
Até mesmo o dinheiro obtido com o leilão, R$ 1,625 bilhão, sequer passou pelos cofres públicos. O total pago pelo Itaú (banco que comprou o Banestado) foi direto para o Banco Central. A dívida do governo do Estado caiu de R$ 5,8 bilhões para R$ 4,175 bilhões.
Os recursos para amortizar a dívida saem dos cofres públicos, ou seja, é o dinheiro que o contribuinte paga todos os meses em impostos. O próprio governo, nos meses anteriores ao leilão, costumava repetir que o ‘‘povo pagaria a conta’’, portanto era necessário vender o banco o mais rápido possível para não prolongar uma dívida crescente.
Além da dívida que o Estado contraiu com o Banco Central para sanear e vender o Banestado, o Paraná ficou com o ônus de tentar recuperar o dinheiro de antigos devedores do Banestado. A lista tem mais de 15 mil processos de empresas que tomaram dinheiro e não pagaram.
Muitos processos são antigos e foram liberados mesmo com indícios de que o pagamento não seria honrado. A influência política contava muito, prova disso era a maioria dos deputados apadrinhados do falecido deputado Aníbal Khury que conseguiam com facilidade financiamentos no Banestado.

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