Dívida bancária vira bola de neve
Avançar no limite do cheque especial e ter de recorrer aos créditos pessoais dos bancos ou aos empréstimos das financeiras têm representado uma grande dor de cabeça para os consumidores. As taxas são extorsivas e transformam as dívidas numa grande bola de neve para quem toma o dinheiro emprestado. Os juros no cheque especial vão de 7,45% até 9,9%, conforme a instituição financeira. No crédito pessoal, os bancos cobram taxas médias de 4,5% e no caso de financeiras os juros mensais chegam até a 11,9%, como é o caso da Fininvest. Valores muito acima de qualquer remuneração financeira.
Entre os maiores bancos, a taxa no cheque especial mais baixa atualmente é do Banco do Brasil com 7,45%. Uma pesquisa feita junto aos bancos pela Folha mostrou que a mais alta taxa está no Banestado com 9,9% ao mês. O Itaú que comprou o Banestado, em outubro de 2000, aplica taxas mais baixas. O cheque especial é de 7,9%, dois pontos percentuais a menos. Bancos de grande porte como o Bradesco e HSBC têm taxas que de 8% e 8,5%, respectivamente.
As taxas de juros para quem avança no limite não têm similares se comparadas às aplicações. Quem tem dinheiro na poupança vê suas economias aumentarem 0,6% ou no máximo 0,7% ao mês. Deixar suas reservas em fundos de renda fixa dão um pouco mais de remuneração, em torno de 1,2%. Índices que nem de longe se aproximam da menor taxa do cheque especial ou então dos créditos pessoais.
Quem colocar R$ 1.000,00 na poupança terá R$ 1.006,60 após um mês. Se a mesma pessoa emprestar R$ 1.000,00 do banco ou de uma financeira, ou avançar no cheque especial pagará após um mês R$ 1.099,00 depois de um mês. Como há a incidência de juros sobre juros, a dívida logo passa a aumentar muito além do que o devedor pode pagar. O resultado a médio prazo pode ser a inadimplência ou então a perda de bens colocados em garantia.
As taxas nos bancos e financeiras têm se mantido altas pelo menos nos últimos cinco anos. No ano passado começou a haver uma tendência de baixa que, no entanto, era repassada muito lentamente na ponta do varejo , mas a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) de voltar a aumentar a taxa de juros fez os bancos subirem seus índices também. O custo do cheque especial passou de 7,62% para 8% há uma semana. Já o Banco do Brasil optou em manter as mesmas taxas desde o inicío do ano. (Carmem Murara)





