Brasília - Os elevados juros praticados no País provocaram um crescimento de R$ 8 bilhões na dívida contraída pelo governo federal por meio da emissão de títulos públicos. De acordo com dados do Tesouro Nacional, o endividamento chegou a R$ 644,88 bilhões no mês passado.
Grande parte da dívida em títulos do governo é corrigida pela taxa Selic, fixada pelo Banco Central (BC), que sofreu sucessivas elevações nos últimos meses. Desde janeiro, os juros subiram 1,5 ponto percentual e chegaram a 26,5% ao ano. Em fevereiro, isso foi o equivalente a uma taxa mensal de 1,83% -contra 1,25% acumulado em fevereiro do ano passado.
A dívida do governo federal também foi afetada pela alta de 1,06% registrada pelo dólar no mês passado. Segundo dados do Tesouro e do BC, 36,7% dos títulos em circulação no mercado são corrigidos pela taxa de câmbio.
Os juros dos títulos emitidos pelo governo são pagos àqueles que comprarem os papéis. Segundo o Tesouro e o BC, os bancos e os fundos de investimento são os que mais aplicam nesses títulos. Juntas, essas instituições possuem 68% dos papéis em circulação no mercado. O restante é dividido por pessoas físicas, empresas e estatais.
O coordenador da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle, afirmou ontem que a guerra entre Estados Unidos e Iraque não deve afetar a rolagem dos títulos públicos que irão vencer nos próximos meses. Até o final do ano, os vencimentos totalizam cerca de R$ 200 bilhões.
Como o governo não possui dinheiro suficiente para resgatar todos esses títulos, é preciso que novos papéis sejam colocados no mercado periodicamente, para substituir aqueles que estão vencendo.
Nesse cenário, a desconfiança do mercado em relação ao futuro da economia brasileira - em especial no caso de um prolongado conflito no Oriente Médio - poderia atrapalhar a administração da dívida pública. ''Por enquanto, a guerra não gerou nenhuma reação no mercado de títulos, pois o cenário interno está tranquilo'', disse Valle.
Segundo o chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do BC, Sérgio Goldenstein, as taxas de juros exigidas pelos investidores para adquirir títulos públicos têm sido cada vez menores. Isso poderia ser entendido como um sinal de confiança no governo.
No final de fevereiro, o Tesouro chegou a se comprometer a pagar juros de 28,78% ao ano para poder vender, no mercado, títulos prefixados com vencimento em seis meses. Na semana passada, os mesmos papéis foram colocados a uma taxa anual de 26,93%.

mockup