Dívida argentina chega a Davos
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Mariano AndradeFrance Presse 
Davos, Suíça A reestruturação da dívida argentina foi o principal tema de um longo debate realizado nesta quinta-feira em Davos, onde o premier britânico, Tony Blair, o ex-presidente americano Bill Clinton, o cantor Bono Voxx e Bill Gates fizeram um chamado pela luta contra a pobreza e as doenças na África.
''Um milhão de pessoas morrem de malária na África a cada ano'', citou Blair. ''Um milhão de pessoas que não deveriam morrer'', acrescentou o fundador da Microsoft, Bill Gates, no auditório do Congress Hall da luxuosa estação de esqui dos Alpes Suíços, onde se realiza o Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês).
Acomodados em poltronas amarelas e diante de um telão azul com o logo do WEF, estava ontem juntos líderes políticos, empresariais e artísticos, entre eles duas importantes autoridades ocidentais (Blair e Clinton), dois chefes de Estado africanos (o sul-africano Thabo Mbeki e o nigeriano Olusejun Obasanjo), Bill Gates e Bono.
Diante de centenas de participantes presentes no salão, o cantor do grupo irlandês U2 alertou para ''o perigo de deixar a África em seu estado atual de pobreza, guerra e epidemias''. ''Há 10 ou 12 afeganistões em potencial lá'', disse o artista, que costuma aderir a causas humanitárias.
Junto a Bill Gates, ambos pediram aos líderes políticos um financiamento maior do G-8 (presidido este ano pela Grã-Bretanha), para proporcionar ajuda, comércio e saúde para a África. ''Sou otimista em relação ao que acontecerá, mas concordo que este ano será crucial'', disse Gates.
A chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Davos, hoje, reforçará o pedido de ajuda aos países pobres e a luta contra a pobreza, temas citados por Blair e pelo presidente francês, Jacques Chirac, na abertura do WEF. Lula, que participou ontem do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, fará dois discursos em Davos, um deles sobre o financiamneto da guerra contra a pobreza.
A polêmica gerada pela reestruturação da dívida argentina chegou ontem a Davos. Empresários e economistas do país sul-americano defenderam, diante de um grupo de líderes internacionais, a oferta de troca dos títulos em default. ''A troca é uma oportunidade de virar a página. Mas se der resultado, deve ser vista como uma solução, e não como um sucesso'', disse no Fórum o economista Mario Blejer, ex-presidente do Banco Central argentino, ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) e atual diretor do Banco da Inglaterra.
O diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IFI), economista Charles Dallara, cobrou do governo argentino uma proposta mais generosa de reestruturação da dívida externa para que o impasse com os credores seja resolvido. Com um pouco mais de esforço fiscal, disse Dallara, os argentinos poderão aumentar o pagamento da dívida e recobrar o acesso ao mercado internacional de capitais. O IFI é é mantido por mais de 30 grandes bancos de todo o mundo. A cobrança foi feita num almoço do qual não participou nenhum funcionário do governo argentino.
A edição 2005 do Fórum de Davos reúne mais de 2.200 líderes políticos, económicos e empresariais, e será encerrada no próximo domingo, após mais de 200 conferências e debates baseados em uma extensa agenda global.


