Os bataticultores do Paraná estão à beira da insolvência, com dívidas acumuladas desde 94, quando houve uma importação de 157.000 toneladas de batata da Argentina. O nível de inadimplência é de 30% dos produtores, sendo 40% na região metropolitana de Curitiba e na região de Guarapuava, onde a cultura é mais tecnificada. Para agravar a situação, as chuvas estão impedindo o agricultor de entrar com máquinas nas lavouras para fazer a colheita. E a produção que está sendo colhida apresenta problemas de qualidade. A produção esperada nessa safra é de 300.000 t e provavelmente haverá quebras, admite o produtor Luiz Alberto Bueno, diretor técnico da Associação dos Bataticultores do Paraná.
Se não houver um apoio urgente ao setor, a consequência será redução na produção prevê Bueno, da Abapar. Isso porque os produtores descapitalizados deixam de investir em tecnologia, reduzem a aplicação de fertilizantes e acabam perdendo parte da produção com queda na produtividade. A Faep e a Abapar estão tentando sensibilizar o governo estadual sobre a gravidade da situação de um setor que gera 45 mil empregos diretos e renda ao redor de US$ 200 milhões (3,5% do PIB).
Pelo fato de ser uma cultura típica de pequena propriedade e ocupar bastante mão-de-obra, o setor imagina que pode ser contemplado com um programa de apoio semelhante ao que o governo vem dando para o algodão, afirmou Bueno. O setor é considerado de risco pelo mercado financeiro, admite o produtor e por isso sem o apoio governamental dificilmente os produtores vão conseguir crédito para pagar os débitos e investir na modernização do sistema de cultivo. Segundo Bueno as reivindicações da Faep e Abapar vão além do setor primário. Elas se estendem para a indústria de transformação, que poderia absorver a produção paranaense e fortalecer a cadeia produtiva no Estado.
Prejuízos com as chuvas
Além dos prejuízos nas lavouras de batata, as chuvas da semana passada prejudicaram a colheita de frutas, verduras e olerícolas da região metropolitana de Curitiba. A alta dos principais produtos no varejo foi de 8,32% na semana do dia 21 de novembro. Entre os produtos mais vendidos no mercado houve alta de preço de 18 produtos, sendo que o mamão liderou a alta com um índice de 66,67%, seguido do chuchu, com 31,11% e o tomate com 23,47%. As maiores baixas foram no agrião (20%), cebola (16,67) e pepino (2,17%).
Os produtos que estão em período de safra sofreram aumentos na última semana. A batata lisa especial registrou aumento de 15,38%, abobrinha verde, 20%, cenoura 8,11% e chuchu, 31,11%

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