Dívida agrícola será debatida hoje
Redação
ArquivoEdison Mazei Ponti: somar forças para apressar soluçõesO Sindicato Rural de Londrina debate hoje, às 19h30, no Auditório Milton Alcover, Parque Ney Braga, os assuntos que mais afligem os agricultores no momento: ‘‘Dívidas Rurais, securitização e política agrícola’’. Falarão três especialistas: Paulo Afonso Rodrigues, consultor na área de Finanças; Adilson Ricardo, economista da Faep, e Djalma Sigwalt, consultor jurídico da Faep. No auditório estarão agricultores, técnicos e representantes de vários setores da sociedade.
O presidente do Sindicato Rural, engenheiro agrônomo Edison Mazei Ponti, entrevistado ontem por este jornal, reiterou os objetivos do Sindicato de discutir objetivamente os problemas do setor até encontrar uma saída. Ponti disse que as dívidas são um assunto complexo em que cada caso é uma história, e que o ideal seria tratar da rentabilidade da agricultura removendo seus muitos gargalos. Mas é preciso encarar problemas imediatos, como dívidas e financiamentos. Uma das propostas da nova diretoria do Sindicato Rural é envolver a sociedade com os problemas da agricultura, já que ela é afetada direta ou indiretamente por esses problemas. A proposta está expressa no discurso de posse de Ponti, dia 30 de abril, prestigiada por representantes de diferentes setores da sociedade, políticos e representantes de órgãos do governo com poder de decisão.
Encontrar saída A expectativa da Diretoria e dos próprios associados é que o encontro de hoje - aberto à sociedade em todos os seus setores - seja um ponto de partida para encaminhamento de soluções. Não dá, contudo, para evitar as críticas. A conclusão que se tira da postura do governo é que o presidente Fernando Henrique Cardoso está mal-assessorado, segundo Ponti, em referência aos ‘‘burocratas dos ministérios lá em Brasília’’. Dois exemplos recentes foram lembrados ontem pelo presidente do Sindicato. Na reunião da OMC, em Genebra, FHC fez uma defesa veemente da agricultura brasileira com relação aos subsídios dos países concorrentes. As palavras do presidente foram bem recebidas. No entanto, ao mesmo tempo, fora da reunião, mas no mesmo evento, seus assessores negociavam o aumento das importações de trigo dos Estados Unidos. Outra contradição: três semanas atrás, o presidente, em seu programa de rádio, elogiava o Proagro, apresentando informações que fogem completamente da realidade. FHC valorizava a redução das indenizações do Proagro, sugerindo que a agricultura vai bem; na realidade a redução das indenizações é porque o seguro não está sendo eficiente. E mais: extemporaneamente, as alíquotas de importação de arroz foram reduzidas, ao primeiro sinal de escassez do produto. ‘‘O Presidente da República é bem intencionado mas está mal-assessorado’’, conclui Ponti. Segundo ele, alguém está falseando as informações. Ponti, que é produtor e atua há muitos anos na área de planejamento, propõe uma nova estratégia, mais eficiente, na busca de solução. Ele acredita nesta mobilização dos associados e da sociedade.

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