Dívida agrícola culmina com despejo de família
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quarta-feira, 10 de maio de 2000
Vânia Moreira Enviada à Iporã 
Agricultora Claudina chora ao deixar, ontem à tarde, o sítio onde morou por 14 anos: laços de amor com a terra
O agricultor Carlos Alves Pereira Rosa, 40 anos, foi despejado da propriedade dele ontem em Iporã (53 quilômetros a sudoeste de Umuarama). O agricultor não conseguiu pagar um financiamento feito no Banco Bradesco e o banco tomou os 30 alqueires da propriedade, dados em garantia da dívida. A família se recusava a sair da casa, onde vive há 14 anos. Ontem, dois oficiais de justiça e uma equipe da Polícia Militar cumpriram a ação de despejo, determinada pelo juiz Rodrigo Fernandes Lima Daledome. Os móveis foram levados para outro sítio de Rosa, no município de Francisco Alves (69 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Não sei como vamos fazer. Lá é muito longe, isolado e só tem uma casinha bem ruim, reclamou a mulher de Rosa, Claudina (38) .
O agricultor, que agora trabalha com transporte de bóias-frias, não acompanhou o despejo. Até o início da noite, Claudina, a filha Ednéia (15 anos) e a sogra Amélia (72) não sabiam para onde iriam. O casal tem mais dois filhos de 18 e 22 anos. Segundo Claudina, o marido fez o empréstimo no início dos anos 80 para plantar algodão, mas perdeu toda a safra por causa da seca. Ele pediu a securitização da dívida, mas o pedido teria sido negado. O Bradesco entrou com a ação de cobrança em 1986.
O próprio banco arrematou a terra em leilão e vendeu para um agricultor de Palotina, José Antônio Jacovas, que pediu o despejo dos moradores. Claudina alega que Rosa não foi informado do leilão e que a assinatura que consta no mandado não é dela. Nosso advogado entrou com uma ação para provar que a assinatura não é minha e tentar anular o leilão, informou.
A dívida de Rosa com o banco ultrapassa R$ 100 mil. O sítio tem 60 alqueires, a maior parte arreadada para plantio de mandioca. O agricultor perdeu os 30 alqueires onde está localizada a sede da propriedade, três casas de madeira, barracões e curral. Não temos condições de construir outra casa na parte que ainda é nossa, justificou a mulher do agricultor.
Segundo Claudina, Rosa tem uma dívida agrícola também no Banco do Brasil, mas conseguiu renegociar e está pagando há dois anos em parcelas mensais. Ela não soube informar o valor da dívida. Claudina também não sabe que a família vai viver no sítio em Francisco Alves. ôLá é muito longe, não tem escola para minha filha e meu marido trabalha aqui. É provável que vamos morar na cidade e pagar aluguel daqui pra frente, concluiu.


