A análise do complexo papeleiro e madeireiro do Paraná é um pouco mais complicada, segundo o professor de Economia da UEL Vanderlei José Sereia. O setor está mais concentrado nas regiões Sul e Centro-Sul do Estado. Além das indústrias de papel, as madeireiras produzem e exportam madeiras em chapas, serradas, lâminas e esquadrias para atender a indústria moveleira nacional e internacional.
Essas indústrias utilizam o pinus, o eucalipto e a acácia negra como matéria-prima. ''Neste caso é difícil dimensionar o número de indústrias porque há muitas pequenas madeireiras'', explica o professor. Ele acrescenta que esse setor produz subprodutos como compensados, madeiras serradas, painéis e MDF (pó de madeira misturado com cola, que está substituindo madeiras em geral; é considerada resíduo da indústria madeireira).
Esses produtos, semi-industrializados, são destinados ao mercado americano, canadense e europeu e utilizados para montagem dos móveis. Esse comércio rende US$ 317 milhões e representa apenas 0,5% do total de exportações paranaenses.
Já a indústria papeleira exporta, em sua maioria, produtos de uso doméstico, como o papel higiênico e o papel toalha. É pouco representativo, o comércio de papel escrita (sulfite) e para impressão de jornais. ''O parque industrial do Estado é atualizado tecnologicamente, mas o produto importado está ganhando destaque no País'', afirma Sereia. Segundo ele, entre os anos 90 e 93, essas exportações rendiam US$ 10 milhões ao Estado; entre 99 e 2002, o faturamento caiu para US$ 4,6 milhões.
''As leis nacionais não protegem os produtos internos e isso faz com que a mercadoria estrangeira entre no País com preço menor do que o produto nacional'', diz o professor. Devido a esse fator, muitas indústrias instaladas em outros Estados exportam pasta de celulose - item de baixo valor comercial - para os Estados Unidos e a Europa. ''As indústrias paranaenses não exportam pasta de celulose, estão investindo em produtos alternativos, como outros tipos de papéis'', informa. (F.M.)

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