Diversificação impulsiona negócios do setor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de novembro de 2012
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
Acompanhando os ciclos produtivos e o desenvolvimento econômico do Paraná, as cooperativas agropecuárias do Estado diversificaram as áreas de atuação e ampliaram a gama de culturas e itens produzidos e comercializados. Do café à soja, passando pelos ciclos da madeira, erva-mate, algodão, pecuária e cana-de-açúcar, o faturamento das cooperativas hoje é composto por diversos cereais e produtos industrializados, atuando desde o campo até as gôndolas de supermercado.
A avaliação do assessor da diretoria da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Guntolf van Kaick, relembra que a diversidade de cadeias produtivas no Estado é reflexo dos vários perfis climáticos e sociais que compõem a região. Durante o auge da cafeicultura, os produtores paranaenses contaram com apoio do Instituto Brasileiro de Café (IBC) para criação de cooperativas, ''mas com a decadência da cultura e o surgimento dos grãos como opção produtiva, especialmente a soja e o trigo, essas cooperativas foram obrigadas a se ajustar à nova realidade econômica do Estado'', argumenta.
Segundo Kaick, as cooperativas remanescentes desse período são exemplos de entidades que buscaram novas vocações para se manter ativas e rentáveis ao longo dos anos. ''Desde o algodão, a laranja e o bicho-da-seda, as cooperativas do Paraná apresentaram uma série de iniciativas pioneiras para diversificar a atividade produtiva e a fonte de renda dos agricultores'', conta.
Com a consolidação do trigo e da soja como importantes commodities mundiais, a sucessão pelos grãos foi natural em quase todas as cooperativas do Estado. Mais recentemente, as organizações adotaram a industrialização como estratégia para agregar valor aos itens próprios, sem abrir mão da produção inicial, envolvendo todas as etapas do setor produtivo e diversificando as fontes de renda dos cooperados. ''Hoje o Paraná é o maior produtor nacional de aves e já alcança o mercado internacional em grande escala com vários produtos, sem perder a característica de pequenas e médias propriedades reunidas em cooperativas'', afirma Kaick.
Do campo às prateleiras
No final da década de 1960, o ciclo da madeira chegava ao fim em Campo Mourão, no Oeste do Estado. Diante da incerteza inicial, a Coamo Cooperativa Agroindustrial foi fundada com aposta no trigo. Hoje, a cooperativa reúne 25,2 mil cooperados distribuídos entre a produção de grãos (soja, milho, trigo, café e aveia), indústria de fiação e de processamento de soja, moinho de trigo e cerca de 60 produtos alimentícios comercializados em supermercados. Cerca de 40% do lucro da Coamo é proveniente da soja, na sequência estão as vendas de insumos, que somam 25%, os demais grãos como milho e trigo somam 25% e os itens alimentícios de supermercado representam 10% do rendimento.
O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, lembra que a cooperativa sempre buscou a constante diversificação da produção e explorou as oportunidades de cada período, passando pela cana-de-açúcar e pelo algodão, que mesmo não sendo mais produzido ainda deixou como resultado a fiação, que gera renda até hoje para os cooperados. ''Quando notamos o potencial da soja, investimos no processamento para geração de óleo bruto, farelo e vários tipos de gordura vegetal para agregar valor à produção. Na medida em que o tempo passa, procuramos acrescentar mais produtos na linha destinada aos supermercados'', afirma Gallassini, revelando a estratégia de crescimento da cooperativa.


