Diversificação é marca do programa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Da Redação 
Marcos NegriniEm operaçãoA empresa francesa Augros, que fabrica tampas plásticas para embalagens de perfume em Maringá: 12 máquinas operando e 108 funcionáriosA diversificação industrial do Paraná, segundo dados da Secretaria do Planejamento, inclui desde fábricas de congelados, papel, bebidas, refrigerantes, madeira, tecidos, carpetes etc, que estão se instalando no Estado desde 1995 ou simplesmente ampliando sua produção. O total de investimentos estimado é de R$ 1,5 bilhão.
De todas as indústrias desse grupo, a recordista em investimentos é a Eletrolux, que está aplicando R$ 300 milhões na construção de uma nova fábrica em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba. Ainda em fase de terraplanagem, a unidade produzirá exclusivamente geladeiras de última geração, que serão comercializadas tanto no mercado interno quanto exportadas. Essa nova fábrica da Eletrolux gerará 2.400 empregos diretos e 1.200 indiretos e, segundo a Secretaria de Indústria e Comércio, ainda não tem data marcada para início da produção.
O segundo maior investimentos fica por conta de uma empresa do Rio Grande do Sul, a Casa Blanca Forest, que está aplicando R$ 250 milhões na construção de sua fábrica no município da Lapa. A Casa Blanca fabricará OSB (Oriented Strand Board), painéis de madeira orientada, que é um tipo de aglomerado, porém bem mais grosso. O produto é inédito no mercado brasileiro. Os painéis são utilizados na construção civil, em embalagens, palets e indústrias de móveis.
A empresa produzirá 460 mil metros cúbicos/ano de OSB, sendo que 70% desse total irá para o mercado externo. O transporte até o Porto de Paranaguá será por via férrea.
A Casa Blanca Forest ocupará uma área de 40 mil metros quadrados e estima um faturamento inicial de R$ 100 milhões/ano, quando entrar em funcionamento daqui a três anos. A empresa gerará 1.600 empregos diretos e precisará arregimentar mão de obra nos municípios vizinhos, uma vez que na Lapa não há pessoal suficiente.
A Cervejaria Kaiser já está operando desde março sua fábrica em Ponta Grossa, onde investiu R$ 150 milhões, sendo R$ 120 milhões para o envazamento tradicional e R$ 30 milhões para a unidade de latinhas. Essa nova unidade da Kaiser criou 300 empregos na região.
J. PedroEmbalagensTerreno onde serão instaladas 2 unidades da Dixie Toga, em Londrina: 300 empregos e ínicio de operação em janeiro de 98
O grupo Tafisa, de Portugal, está se instalando no município de Piên, onde fabricará um novo tipo de painel de madeira aglomerada, o MDF - de fibras de média densidade (lignocelulósicas), combinadas com partículas de madeira e resinas ou outros tipos de adesivos.
A empresa está investindo R$ 130 milhões em construção civil, gerenciamento e equipamentos. Só 50% do maquinário é importado. A Tafisa, que começa a funcionar em março do próximo ano, criou 680 empregos diretos e mil indiretos. E vai produzir 145 mil metros cúbicos de MDF/ano e 165 mil metros cúbicos de aglomerados de partículas (madeiras reduzidas a partículas e reaglutinadas com auxílio de adesivos). Nos dois casos são produtos químicos catalizadores e hidrorepelentes.
A Tafisa é formada por 58% de capital do grupo português Sonar, 30% da Brascan do Brasil e 12% do Risfomento Sociedade de Capital de Risco SA (Banco de Fomento Exterior).
A primeira empresa a assinar um protocolo de intenções com o governo do Paraná foi a Sadia/Frigobrás, em 12 de abril de 1995, e já investiu R$ 80 milhões em suas unidades de Paranaguá, Toledo, Francisco Beltrão, e Dois Vizinhos, gerando 700 novos empregos diretos.
Agora, no último dia 12 de junho, a Sadia assinou outro protocolo para instalação de uma fábrica que produzirá alimentos industrializados congelados, com tecnologia sem similar no Estado, no município de Ponta Grossa. Por conta dessa nova unidade a Sadia investirá R$ 37,627 milhões, gerando 312 empregos diretos. Todos os funcionários passarão por treinamento especial, uma vez que fabricarão produtos que implicam em tecnologia específica e cuidados especiais de preparo e congelamento.
Somando as duas fábricas, a Sadia já investiu R$ 117,627 milhões no Paraná entre abril de 95 e junho de 97.
A nova unidade que a empresa Dagranja está construindo no município de União da Vitória vai criar 9 mil empregos, dos quais 1.200 diretos, 6 mil indiretos para o setor da agroindústria e mais 1,8 mil no setor rural.
Essa nova unidade da Dagranja terá investimento de R$ 106,780 milhões e prevê a produção integrada de aves e suínos, estando dimensionada para o abate de 320 mil aves/dia e mil suínos/dia. A localização estratégica do abatedouro beneficiará a região sul do Paraná, que abriga pequenos agricultores e atenderá às necessidades sócio-econômicas dos municípios de União da Vitória, Porto Vitória, Cruz Machado, Bituruna, General Carneiro, Paula Freitas, Paulo de Frontin, Mallet e São Mateus do Sul.
A Dagranja é uma das mais tradicionais agroindústrias do segmento de aves e suínos do Brasil.
Ainda no setor da agroindústria, o grupo Meneguette, que controla a Usina Santa Teresinha - produtora de açúcar e álcool - está investindo R$ 80 milhões na ampliação e modernização de suas usinas, gerando dois mil novos empregos diretos nas cidades de Maringá, Paranacity, Tapejara e Ivaté.
A indústria de papel Ibéria está investindo R$ 35 milhões na implantação de sua nova fábrica em Guarapuava, para produzir embalagens a partir de material reciclado e celulose. Entrará em funcionamento em 1998.
A capacidade de produção na primeira etapa de funcionamento da indústria é de 76 mil toneladas/ano, podendo chegar na segunda etapa à marca de 100 mil toneladas/ano, sempre na forma de bobinas de 2.500 milímetros de largura.
Essa nova unidade da Ibéria vai gerar dois mil empregos, dos quais 300 diretos e 1,7 mil indiretos, e promoverá o aquecimento do setor de celulose e reciclados. O grupo Ibéria já conta com uma empresa instalada em Guarapuava produzindo papel e iberkraft.
Em uma área de 100 mil metros quadrados a empresa belga Beaulieu Kruishouten, uma das maiores do mundo na fabricação de carpetes, vai instalar sua fábrica em Ponta Grossa, com 40 mil metros quadrados de área construída.
Numa primeira etapa os belgas vão investir R$ 35 milhões e gerar 350 empregos diretos. O início das obras está marcado para janeiro e a previsão de operação é para agosto de 98, segundo o empresário Sigismundo Charneski, mentor e intermediador da vinda da Beaulieu para o Paraná.
Todas as máquinas da nova empresa de carpetes virão da Europa e a produção está estimada em cerca de 8 milhões de metros quadrados por ano, sendo que 30% serão destinados ao Mercosul, 30% para exportação e 40% para o mercado interno. A entrada da gigante Beaulieu, além de empregos e ICMS, traz para o Paraná e o Brasil o que há de melhor em carpete no mundo. São produtos diferenciados e sem similares nacionais. A Beaulieu possui seis fábricas localizadas na Bélgica, Austrália e África do Sul.
O Spaipa, grande grupo do setor de bebidas, fabricante de Coca-Cola e que registrou um crescimento de 72% no ano passado, também está expandindo suas unidades em Francisco Beltrão, Curitiba, Maringá e Cascavel. O Spaipa está investindo R$ 15 milhões e garantindo a criação de 480 novos empregos nas cidades onde atua.
Em Prudentópolis a instalação de três indústrias fechou um círculo produtivo e garantiu a criação de 1.050 empregos no município. A empresa Acetatos Argentinos S/A está investindo R$ 14,8 milhões na construção de sua planta industrial para a produção de fios de acetato e tecidos planos e circulares. A fábrica terá 25 mil metros quadrados de área construída, em três etapas, e gerará 250 empregos diretos.
No mesmo município, a indústria paulista Covolan Têxtil, que produz tecidos planos para confecção de roupas de cama, moda feminina e camisaria, está investindo R$ 15 milhões numa unidade industrial que será construída em uma área de 30 mil metros quadrados, em quatro etapas, e que gerará 310 empregos diretos.
A implantação do projeto Covolan prevê a utilização de modernos equipamentos de produção e processos tecnológicos de última geração, com o objetivo de alcançar padrões de produtividade internacionais.
Fechando o ciclo em Prudentópolis, a Malharia Iracema S/A, de Santa Catarina, está investindo R$ 3,860 milhões na construção de sua fábrica de confecções em malha. A malharia ocupará uma área de 4.600 metros quadrados de área construída e gerará 500 empregos diretos.
Em março deste ano a Macsol, de café solúvel, assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado para a instalação de uma indústria de café solúvel freeze dry (café liofilizado), no município de Cornélio Procópio. A unidade já está funcionando. São 100 empregos diretos e 400 indiretos.
A nova fábrica da Macsol recebeu investimentos de R$ 10 milhões e foi construída em uma área de 4 mil metros quadrados. Sua produção previsível é de 1.600 toneladas/ano de café solúvel e faturamento de US$ 17 milhões. É formada por 51% da Iguaçu Café Solúvel e 49% da Coca-Cola.
A Laticínios Iva está implantando uma usina de leite Longa Vida em Paranavaí, dividida em duas etapas. Na primeira fase do projeto serão investidos R$ 9,050 milhões e serão gerados 130 empregos diretos e cerca de 500 famílias no campo serão beneficiadas.
Na segunda etapa o número de empregados sobe para 250 diretos e mais 100 indiretos. A produção inicial será de 100 mil litros/dia e na segunda fase, 200 mil litros/dia.
Em Maringá, a empresa francesa Augros, fundada em 1919, fabricante de tampas plásticas para embalagens de perfumes, já está em pleno funcionamento. Com investimento de R$ 8 milhões, a empresa adquiriu uma área de 48 mil metros quadrados, sendo 8 mil de área construída, fez as reformas necessárias e iniciou imediatamente a produção.
Todas as máquinas, assim como os moldes, estão sendo importados gradativamente: 12 máquinas já estão operando, mais duas acabaram de chegar no porto seco de Maringá e até o final do ano todo o sistema operacional estará concluído.
No momento são 108 funcionários trabalhando, mas até o final da implantação esse número saltará para 250.
Entre os principais clientes da Augros estão o Boticário, Natura, Avon, Revlon, que já respondem por 8% do faturamento da empresa na França. Com duas fábricas na França e mais duas nos Estados Unidos, a Augros tem um faturamento de US$ 40 milhões/ano. Em seu primeiro ano de atividades no Brasil, produzirá 9 milhões de tampas para perfumes, passando para 17 milhões no segundo ano e 28 milhões no terceiro. Seu faturamento também já está planejado: US$ 5 milhões em 97; US$ 9 milhões em 98 e 13 milhões em 99.
Em Londrina, a Dixie Toga, que fabrica embalagens para fast food, está investindo R$ 40 milhões na construção de duas fábricas. Elas ocuparão 100 mil metros quadrados na Cidade Industrial de Londrina, gerarão 300 empregos diretos e começam a funcionar em janeiro de 98.
As embalagens fabricadas em Londrina vão abastecer as principais cadeias de fast food do País.


