Diversificação anti-apagão
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segunda-feira, 25 de julho de 2016
Magaléa MazziottiM<br>Reportagem Local 

Sobra energia no País, por um motivo bem ruim a desaceleração da economia brasileira. Essa situação deve mudar à medida que o Brasil ingresse em um novo ciclo de crescimento que, se o abastecimento energético estiver assegurado, certamente terá uma expansão mais robusta do que o último ciclo de prosperidade em que o apagão comprometeu a performance. Dentre as entidades do setor, há um consenso de que o caminho para o "conforto" de que toda a energia necessária ao desenvolvimento brasileiro será gerada e fornecida passa por dois aspectos preponderantes: diversificação de matrizes energéticas e investimento na transmissão e distribuição de toda a energia produzida.
Nos encontros mais recentes do Fórum Nacional dos Secretários de Minas e Energia (FME), cuja 6ª reunião foi realizada na última quinta-feira em Curitiba, e o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), os participantes reconheceram a importância de se reavaliar toda a confiabilidade e segurança do sistema energético brasileiro, ampliar a segurança jurídica e estabilidade regulatória e ampliar a participação dos estados na reestruturação de um planejamento energético nacional de curto, médio e longo prazos. "Boa parte da matriz energética brasileira, aproximadamente 80%, é de água e fontes não poluentes, como eólica, solar, que são intermitentes, precisam de uma base estabilizadora e mesmo com produção ainda carecem de linhas de transmissão, o que é algo ilógico. O que defendemos no Fórum, e acordamos em Curitiba, foi montar um grupo de pesquisa para levar informações técnicas ao Ministério de Minas e Energia sobre fontes energéticas fósseis como o carvão mineral e energia nuclear, as quais podemos recorrer em um eventual problema, como baixo níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas", esclarece o presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Minas e Energia (FME) e secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro, Marco Capute.
"Tais fontes ficaram estigmatizadas no passado, mas as tecnologias de hoje garantem muito mais segurança e sustentabilidade à produção, uma vez que são bem menos impactantes. É justamente por pensar em uma questão estratégica do País que o FME apoia qualquer fonte de energia como opção para ser recorrida em uma eventual pane na produção de nossas fontes não poluentes", acrescenta.

Carvão mineral
Um dado que demonstra o quanto o País recorre de maneira bastante tímida às fontes fósseis é que mesmo possuindo a 10ª maior reserva de carvão mineral no mundo, segundo a Associação Brasileira do Carvão Mineral, pouco mais de 1% da energia gerada no país advém do carvão mineral, enquanto na China, Alemanha e Estados Unidos, esse índice ultrapassa a casa de 30%.
De acordo com Capute, a próxima reunião do FME deve ocorrer em setembro, em Brasília, justamente para apresentar ao Ministério de Minas e Energia tais informações. Com um prazo mais alongado, de 180 dias, a 32ª Reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) realizada no mês passado também estabeleceu a construção de um estudo a fim de oferecer subsídios para novas diretrizes da política energética brasileira.
O secretário de Energia do Governo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, que participa de ambas as entidades, acredita que a contribuição apartidária e livre de disputas de estados trará avanços significativos no abastecimento energético brasileiro. "Há uma série de gargalos desnecessários, desde a insegurança jurídica que ameaça vários empreendimentos do setor até a maneira como os leilões são organizados, pois em vez de serem regionais, preservando as vantagens comparativas de cada região do país, são nacionais e acabam promovendo uma disputa inglória. Por isso que se faz necessário esse esforço coletivo em prol de uma política de curto, médio e longo prazo para o País", alerta.


