São Paulo - Desde 15 de outubro de 1582, quando o Papa Gregório 13 instituiu o calendário que ficaria conhecido como gregoriano nos países católicos - hoje assimilado em todo o mundo - , gráficas e artistas se dedicam à produção dos tradicionais calendários ou folhinhas, dos mais simples aos mais sofisticados. No rastro dessa convenção gregoriana, que também estabeleceu o início do ano em 1º de janeiro e o seu término em 31 de dezembro, instituições ligadas à Igreja e empresas seculares continuam seus negócios com esses calendários. A diversidade é imensa.
Das paredes sujas de borracharias e oficinas mecânicas nos anos 50, as folhinhas com mulheres em poses nada inocentes acabaram, nos anos 80, por conquistar espaço em museus de todo o mundo como o de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Viraram objeto do desejo e disputa entre colecionadores. A mudança de ângulo teve a ver com a entrada em campo da Pirelli, em 1964, que acabou por sofisticar as poses e, com isso, atrair modelos profissionais e famosas, como Naomi Campbel e Cindy Crawford.
Até o Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp) se curvou a esse calendário ao abrir as portas, em 1998, para 300 imagens saídas das folhinhas da Pirelli, entre 1964 e 1998. Essa aceitação e o encantamento de publicitários por uma peça impressa, que parecia estar com os dias contados, motivaram por aqui fornecedores sofisticados como as gráficas Burti, Takano e Pancron a produzirem suas folhinhas.
Mas se a fama da Pirelli foi estabelecida com as mulheres, os homens também invadiram os calendários. Em 2002, a folhinha com bombeiros de Nova York, considerados heróis após os atentados terroristas de setembro de 2001, virou objeto de disputa e teve imensas tiragens. Este ano, a modelo Luma de Oliveira seguiu a receita de sucesso e recrutou militares das Forças Armadas, dos Bombeiros, da Polícia Federal e Civil para produzir o calendário Profissões, em que esses homens viraram modelos, em poses sensuais. A renda irá para instituições sociais.

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