Donna Hrinak: empresário que quer ser líder precisa "participar da pluralidade"
Donna Hrinak: empresário que quer ser líder precisa "participar da pluralidade" | Foto: Priscilla Fiedler/Divulgação



Mulher, acima dos 60 anos, com um currículo que exibe ora cargos de representações diplomáticas dos Estados Unidos ora o comando de organizações do setor alimentício, como a PepsiCo. Essa é, que desde outubro de 2011, é CEO da Boeing América Latina.
Embaixadora no Brasil entre 2002 e 2004, a norte-americana foi a convidada especial do Business Day, evento sobre competitividade promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), semana passada em Curitiba, com o tema "A Terceira Onda - Como a informação está mudando a competição". Ela falou para uma plateia formada por 1.500 empresários paranaenses.
"Não fui escolhida para ser CEO da Boeing por ser mulher, mas por ser essa mulher com um conhecimento profundo da América Latina", disse ela. A companhia, que atua na aviação comercial e na defesa e segurança aeroespacial, quer expandir sua atuação por aqui.
"Uma empresa precisa pensar quem são seus consumidores. Como atrair mulheres, que sabidamente são quem tomam a frente das decisões de consumo nas famílias, se você não tem uma mulher na equipe?", questionou.
Segundo ela, trabalhar a diversidade para tornar a organização mais competitiva é algo que deve partir de cima para baixo, da liderança para o chão de fábrica, e não pode ser confundido com uma mera política de inclusão. "Um empresário que deseja participar do mercado global precisa conhecer e participar da pluralidade. Deve não só aceitar, mas conhecer o seu colega de trabalho, os seus colaboradores, porque essa transformação deve partir da liderança para que a organização vivencie e trabalhe inserida nesse contexto", explica.
Hrinak diz que, na Boeing, uma das ações que adotou para promover a diversidade foi buscar mais parcerias comerciais com empresas fundadas por mulheres.
Sobre o custo de não se dar a devida atenção à diversidade, a executiva lembrou o caso da Barilla, fabricante italiana de massas, que, em 2013, ficou marcada por uma declaração do seu presidente, Guido Barilla. Ele disse que casais gays jamais estrelariam comerciais da marca, porque preferia a "família tradicional". Tal declaração motivou um boicote à marca em todo o mundo.
Barilla teve de ir a público duas vezes para se desculpar. A companhia teve de adotar um conselho de inclusão e diversidade com o objetivo de consultar especialistas e ativistas para definir estratégias e metas para reverter sua imagem. Um ano após a declaração desastrosa, a Barilla já figurava na lista das empresas amigas dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) da organização norte-americana Human Rights Campain (HRC).

LAVA JATO
Sobre o atual momento do Brasil e o fluxo de investimentos estrangeiros, a CEO disse que o País sempre atraiu capital, até mesmo por conta das elevadas taxas de juros, e pela vantagem de produzir alimentos para todo o mundo. Também citou a tradição de empresas brasileiras sólidas que atuam de forma ética. "A falta de ética tem um custo gravíssimo para a competitividade. Isso está sendo dimensionado pela Operação Lava Jato",afirmou.
A executiva considera que há uma crença de que os negócios sempre foram feitos de modo errado no Brasil e que isso nunca vai mudar. "É preciso eliminar essas palavras sempre e nunca", declarou. Para ela, a Lava Jato deve ajudar o setor produtivo a deixar de lado essa postura cômoda. "A visão que deve prevalecer é de que preservar o seu negócio envolve preservar a sua comunidade e o seu país", disse Donna.
A norte-americana salientou que os brasileiros sabem o que é preciso ser feito. "O mundo está mudando rapidamente. Falta tomar decisões difíceis pensando mais nos interesses do País do que de partidos ou grupos", acrescentou.
Ainda sobre o Brasil, a CEO chamou atenção a respeito do papel dos empresários para melhorar a economia. "Não existe capitalismo sem riscos. Tem que arriscar, até porque cada experiência vale, mesmo as que não são positivas", destacou.

EDUCAÇÃO
A baixa qualidade da educação no Brasil, segundo a norte-americana, é um dos principais problemas que devem ser enfrentados visando o ganho de competitividade. Para ela, o ponto de partida na virada desse quadro de fraco desempenho é a formação de professores.
Hrinak lembrou que a Boeing, via a instituição Wolrdfund, promove a metodologia STEM de ensino no Brasil. Segundo ela, por meio do projeto, complexos conceitos são ensinados de modo lúdico, mesclando as seguintes disciplinas: ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, em inglês). O foco é a qualificação de professores da rede pública de ensino.

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