O biodiesel já está consolidado como uma nova fonte de energia. O desafio agora é conseguir a inclusão no mercado de outras culturas, como canola, girassol, dendê e mamona. ''O programa (de biodiesel) tem que oferecer acesso mais amplo para outras culturas e para os produtores rurais. O biodiesel não deve ser apenas para a soja até porque a soja atende o mercado de proteína'', observa João Flávio Veloso Silva, pesquisador da Embrapa Soja. Atualmente, mais de 90% da oferta de óleo para energia é do grão.
No entanto, a inclusão de plantas diferentes na rota da agroenergia esbarra em gargalhos como a descoberta de novas variedades e formas de produção adequada, que contribuiriam para um aumento da produtividade. Para mudar esse panorama, a Embrapa pretende lançar no final desta safra novas cultivares de mamona e girassol que poderão ser utilizadas em todo o País. Já está no mercado uma variedade de dendê, indicada para plantio na região da Amazônia ocidental, enquanto novas cultivares de soja são lançadas anualmente.
Os técnicos também estão trabalhando no zoneamento agrícola destas culturas, o que irá delimitar os riscos climáticos e a incidência de doenças. Inclusive, a delimitação da área de plantio é importante para a liberação de financiamentos para o plantio. ''O potencial destas culturas vai crescer porque há mercado comprador. No Brasil praticamente todos os dias são abertas novas usinas de biodiesel'', observa Silva. Segundo ele, o mercado para as oleaginosas é bastante claro, uma vez que a partir de 2008 passará a ser compulsória a adição de 2% de óleo vegetal ao diesel.
''Há preocupação por fornecimento de matéria-prima para o mercado de óleo vegetal. O mercado é garantido, os preços estão firmes e oferecem liquidez, que é mais importante para o produtor do que as oscilações bruscas de preços'', observa o pesquisador. (F.M.)

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