Diversidade dá nova cara ao comércio
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Carga tributária alta e competitividade acirrada com as grandes redes têm sido a pedra no sapato do pequeno e médio comerciante, que comemora seu dia amanhã enfrentando a concorrência das drugstores, das lojas de departamentos e dos hipermercados.
A diversidade nas prateleiras desses estabelecimentos está sendo encarada como uma nova tendência e transformando a ''cara'' do comércio. Para enfrentar essa nova ''tendência'', os pequenos e médios comerciantes têm que prestar serviço personalizado, oferecer qualidade e facilidades de crédito para não serem engolidos pelas grandes redes.
Nos últimos anos, o modelo americano das drugstores desembarcou com tudo no Brasil. De um lado, prateleiras de remédios. Do outro, se encontra: brinquedos, biscoitos, achocolatados, doces, papel higiênico, refrigerante, sorvete, salgadinhos... É cada vez mais comum as farmácias aderirem à proposta da diversidade, dispondo um pouco de tudo na prateleira. ''Não oferecemos esses itens para sobrevivermos no mercado, mas para agregar mais uma comodidade ao cliente. É uma nova tendência'', opina Claudia Maria Pagani, do departamento de desenvolvimento da rede de farmácias Vale Verde.
Assim como as farmácias, os supermercados estão deixando de ser locais apenas de vendas de alimentos, produtos de limpeza ou utensílios para casa. Hoje em dia, o consumidor pode encontrar em redes grandes de supermercados itens como CD, DVD ou até livros, além eletrodomésticos e roupas.
Para o economista Henrique Gumerato, o consumidor precisa se sentir atraído e por isso é importante ter várias alternativas. '' É como uma mulher bonita que ao sair na rua atrai os olhares. No comércio também precisa haver sedução'', compara. Segundo ele, essa sensação de pouca liquidez impede o consumidor de ir às compras. ''Quando ele vai a procura de um objeto para satisfazer o seu desejo, é importante ter alternativa.''
A palavra-chave na opinião do economista é ''conveniência''. O comerciante que for mais ''conveniente'' (oferecendo uma variedade maior de produtos, qualidade, estacionamento, facilidade de crédito) sai na frente na conquista do freguês. A dica vale, segundo ele, até mesmo para aquele pequeno comerciante, que está instalado há anos no mesmo local vendendo o mesmo produto. ''Se melhorar o atendimento, por exemplo, ele se torna atraente. As papelarias são todas iguais, mas eu posso preferir uma que me oferece um bom atendimento'', exemplifica.
Essas pequenas mudanças permitem que pequenos comércios sobrevivam ao lado de redes de drugstores e hipermercados por muitos e muitos anos, opina Gumerato. ''É claro que o pequeno comerciante precisa se reciclar ou ele morre. Existe uma camada de renda que não é atendida e não é por causa dos shoppings é porque não há atrativos para ela. Essa camada nem sequer vai ao shopping'', argumenta.


