Divergências mostram que País deve estimular plantio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2001
Da Redação 
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Trigo (Abitrigo), Roland Guth, disse ontem que divergências que ocorrem no âmbito da importação de trigo dos Estados Unidos, ou uma eventual suspensão das importações do Canadá, como já foi cogitado ontem, só reforçam a tese de que o Brasil precisa estimular a produção interna e reduzir sua dependência do produto importado.
Sobre trigo dos Estados Unidos, Guth referia-se à denúncia da US Wheat (associação dos produtores norte-amerianos) sobre boicote brasileiro expresso através de barreira sanitária do Ministério da Agricultura.
Guth informou que realmente os moinhos esperavam pelo trigo norte-americano. Agora têm que aguardar a inspeção que será feita por técnicos brasileiros nos Estados Unidos.
Mas o Brasil só importa o trigo do tipo soft read winter, de grão mole, mesmo assim em pequena quantidade. No caso específico da recente suspensão seriam um ou dois navios apenas.
No caso do trigo canadense os Estados do Nordeste gozam do desconto de 25% sobre o adicional da Marinha Mercante, adicional este aplicado ao frete fora do Mercosul, mas que os Estados do Nordeste conseguiram isenção. O preço do frete entre o Canadá e o Brasil varia entre US$ 17 e US$ 18/tonelada, ou cerca de 15% sobre os preços atuais. Segundo Roland Guth, este adicional tornaria inviável aos Estados do Sul ou Centro-Oeste, a um preço entre US$ 125 e US$ 126/tonelada.
Os moinhos do Nordeste fazem uma mescla entre o trigo norte-americano e trigo de outras procedências. Tanto o trigo canadense como o americano são de boa qualidade, mas comercialmente não seriam econômicos
O estudo da Abitrigo que prevê aumento da produção de trigo foi entregue recentemente ao ministro da Agricultura. A meta é que em cinco anos o País produza 50% das atuais necessidades entre 9,5 e 9,6 milhões de toneladas este ano.
No item que trata do custo de produção a Abitrigo sugere a adoção de fertilizantes e defensivos genéricos para o trigo. Segundo Roland Guth isto é técnicamente viável e já existe em outros países. Os genéricos iriam reduzir sensivelmente o custo de produção.
O estudo da Abitrigo também prevê um novo sistema de seguro agrícola de maneira a oferecer uma cobertura mais ampla para lavoruas prejudicadas por clima ou outras adversidades.


