Belo Horizonte - Os governos do Brasil e da Argentina resolveram excluir as divergências comerciais entre os dois principais sócios do bloco da agenda do encontro de cúpula do Mercosul, que ocorre hoje em Belo Horizonte e sexta-feira em Ouro Preto. Desde segunda-feira, tem havido reuniões técnicas em Belo Horizonte.
Ontem na abertura do I Fórum Empresarial do Mercosul, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que não haverá retaliações contra a Argentina. ''Os problemas existem porque temos uma intensa relação, que eu não diria que são carnais porque isso foi muito mal colocado no passado'', disse Amorim, em referência à declaração do ex-chanceler argentino, Guido Di Tela, durante o governo de Carlos Menem (1989-99), que disse que a Argentina tinha ''relações carnais com os Estados Unidos''. Na época, a Argentina queria dar preferências às relações comerciais com os americanos. ''As pessoas vivem dizendo que o Mercosul está em crise, mas é impressionante o número de países que querem negociar com o bloco'', completou Amorim.
De acordo com o embaixador Mário Vilalva, responsável pela promoção comercial do bloco, Japão, Tailândia, China e a América Central já manifestaram o desejo de negociar acordos comerciais com o Mercosul.
Em Ouro Preto, o Mercosul vai assinar um acordo de preferência comercial com a Índia e com a União Aduaneira do Sudeste Africano, que inclui África do Sul, Botswana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia.
O Equador também assina um acordo para, a exemplo do Chile, da Bolívia e do Peru, tornar-se membro associado do Mercosul. Além de tarifas preferenciais de comércio, os membros associados participam de um fórum político e aderem à cláusula democrática do bloco.
''Se tivéssemos trazido a questão bilateral entre Brasil e Argentina para a cúpula, isso poderia entravá-la e não avançaria'', disse o subsecretário de Integração Econômica do Itamaraty, embaixador Luiz Filipe Macedo Soares. ''Não há necessidade de decisões apressadas, nem de ameaças de nenhum dos lados'', afirmou.

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