O programa de racionalização de energia, a ser anunciado nos próximos dias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), poderá resultar em queda de receita para as concessionárias de distribuição de eletricidade. A possibilidade foi admitida pelo diretor-executivo da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães. ‘‘Ainda não conhecemos o plano da Aneel mas, em princípio, a racionalização de energia, com a orientação para que o consumo seja reduzido, deve resultar na queda de receita das empresas’’, adiantou.
Segundo o dirigente, o impacto no faturamento de cada companhia dependerá exatamente do programa apresentado pela Aneel. ‘‘Existem alguns casos em que a queda de faturamento não traz transtornos’’, esclareceu. Ele cita, por exemplo, o consumo das prefeituras em iluminação pública. ‘‘Como esse fornecimento é subsidiado, praticamente não há como prejudicar o faturamento das companhias’’, explicou.
Na avaliação de Guimarães, os efeitos nocivos do plano de racionalização às receitas das empresas fazem parte dos riscos do negócio. ‘‘Não há o que ser feito senão minimizar os impactos dessas perdas.’’ As empresas filiadas à Abradee querem, contudo, o início imediato das campanhas de conscientização do consumo de energia. ‘‘Ou começa já, ou teremos que adotar o racionamento, em circunstâncias muito piores.’’
A Abradee defende que o programa de racionalização de energia tenha duas frentes: redução de consumo e ampliação do parque gerador. Uma das sugestões da entidade é a de que os consumidores com capacidade de produzir a sua própria energia, e que tenham seus equipamentos ociosos, sejam estimulados pelo governo a gerar eletricidade, inclusive com excedentes sobre seu potencial de consumo. ‘‘Esses excedentes poderiam ser vendidos aos distribuidores por preços abaixo dos cobrados no Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE)’’, defendeu.

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