Distribuidores e revendas lucram 45% no gás, diz ANP
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sexta-feira, 26 de julho de 2002
Agência Estado 
Rio - As margens de ganho da revenda e distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de botijão, representam cerca de 45% do preço final do produto, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O restante se divide entre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com cerca de 15%, e o preço da Petrobras mais o imposto federal, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), com outros 40%.
A ANP divulgou ontem em seu site um levantamento de preços do GLP no Brasil, como primeira medida para acompanhar mais ativamente o setor, como determinou o presidente Fernando Henrique Cardoso. O estudo indica um aumento nas margens brutas da distribuição de 18,5%, passando de R$ 6,13 por botijão em dezembro para R$ 7,27 em julho.
As margens da revenda subiram 35% desde o fim do ano passado, passando de R$ 3,34 para R$ 4,53 por botijão. Segundo a ANP, o preço cobrado pelos produtores pelos 13 quilos do botijão foi de R$ 10,57 em julho (incluindo a Cide), contra R$ 6,60 em dezembro. Subtraindo os R$ 1,3598 arrecadados pelo governo federal, a receita dos produtores foi de R$ 9,22 por botijão.
A Federação Nacional dos Revendedores de Gás (Fergás) rebateu as acusações de obter altas margens na venda do botijão de gás. Segundo nota divulgada pela entidade, os custos operacionais da revenda do gás - que contemplam transporte, armazenamento, assistência técnica e manuseio - são os mais onerosos da cadeia e já foram apresentados a ''órgãos competentes'' em planilhas.
A entidade avalia que a regulamentação do setor prejudica a livre concorrência, uma vez que os revendedores são obrigados a comprar de um único fornecedor. ''Seis grupos econômicos detêm 95% do mercado de engarrafamento de GLP no Brasil, criando situações de abuso do poder econômico, em determinados momentos, e, em outros, de poder abusivo'', diz a nota.
A Fergás propõe maior diálogo entre as autoridades e os elos da cadeia produtiva do gás para incentivar a redução do preço ao consumidor. Existem cerca de 80 mil postos de revenda de gás no País e uma frota de 400 mil veículos.


