Rio- As distribuidoras de gás liquefeito de petróleo (GLP) avaliam que, para reduzir o preço do botijão, o governo terá que mexer no próprio bolso. Segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), Lauro Cotta, não há espaço para redução de margens no setor.
A queda do preço - desejada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a campanha eleitoral - viria, portanto, pelo aumento do programa Vale-Gás ou pelo uso da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o imposto federal, para amortecer as variações no câmbio e no preço internacional.
Cotta disse ainda que a redução dos impostos estaduais seria outra alternativa. Segundo cálculos do Sindigás, os tributos representam 21% do preço do botijão, ou R$ 6,25, em média. O faturamento das refinarias é responsável por 39% do preço, ou R$ 11,55. Distribuidoras, revendedores e pontos de venda ficariam, assim, com os 50% restantes, o equivalente a R$ 11,85, em média.
''As margens de distribuição e revenda voltaram a um nível de um ano atrás. Estão ainda aquém das nossas necessidades'', reclamou o executivo. Ele disse que há um índice de inadimplência no setor por volta dos 35%.
O presidente do Sindigás, que também preside a distribuidora Minasgás, garante que a entidade apóia a iniciativa de Lula, em prol da redução do preço do botijão. Para ele, porém, o governo deveria trabalhar por um preço menor apenas para a população de baixa renda, ampliando o Vale-Gás, espécie de subsídio para famílias com renda per capita de até meio salário mínimo. O programa atende hoje 9,5 milhões de famílias, garantindo R$ 15 para a cada dois meses. Ou seja, R$ 7,5 por mês, ou aproximadamente 25% do preço médio cobrado pelo botijão no Brasil.
As distribuidoras estiveram em Brasília no dia 8 de abril para apresentar à ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, um cenário do setor. O consumo vem caindo e as empresas culpam o alto preço e a concorrência com o gás natural. Segundo Cotta, a Petrobras vem praticando preços próximos às cotações internacionais - 7% menor no gás para uso residencial e 10% maior no gás para uso comercial e industrial.

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