O diretor-presidente da Bandeirante Energia, Júlio de Barros, diz que será inevitável o repasse do custo do racionamento para as contas de energia elétrica do consumidor. ‘‘No momento certo, a Bandeirante pretende pleitear a revisão tárifaria’’, afirmou Barros. Ele não detalhou de quanto seria esse reajuste mas deu a entender que ele irá ocorrer após o período de racionamento, em 2002.
Segundo Barros, apesar de governo federal não ter definido ainda as regras do programa de racionamento, as empresas distribuidoras de energia devem fazer uma economia de cerca de 20%. Essa redução, avalia Barros, acarretará perda de receita proporcional, ou seja entre 17% e 20%, o equivalente a R$ 350 milhões este ano. Na opinião do executivo, reajustar tarifas hoje seria penalizar duplamente o consumidor, que já sofrerá com os cortes programados de energia elétrica.
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, disse que falar em aumento de tarifas num momento de excepcionalidade como o atual não é de interesse nacional. Abdo lembrou que o custo de vida não variou nos porcentuais de reajuste das tarifas de energia, que ficaram entre 15% e 18% nos últimos meses, mas ressaltou que a Aneel está cumprindo os contratos de concessão assinados com as distribuidoras. ‘‘Pedir aumentos além desses é uma posição insaciável’’, observou. ‘‘Elas estão querendo mais e mais’’. O comentário foi feito sobre declarações de representantes das distribuidoras de que será necessário repassar para as tarifas os prejuízos.

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