Distribuidoras esperam queda no preço do gás
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terça-feira, 29 de abril de 2003
Kelly Lima<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro A ausência do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) na lista de reduções de preços anunciadas pela Petrobras ontem pode deflagrar uma queda-de-braço entre distribuidoras do combustível e a estatal. As companhias aguardam para hoje o repasse da defasagem cambial e da queda no preço internacional do produto para o mercado interno, apesar de até mesmo a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, ter negado essa possibilidade.
A expectativa do repasse se concentra principalmente no GLP industrial, já que o gás residencial (de botijão) ainda registra uma defasagem em torno de 7% com relação ao seu preço no mercado internacional. ''Amanhã (hoje) é um dia decisivo para saber qual a política a Petrobras vai adotar para este setor'', avaliou o presidente do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Gás (Sindigás), José Carlos Guimarães.
Um acordo feito em outubro entre a Petrobras e as distribuidoras de GLP previa que todo dia 30 seria repassada a variação cambial, o preço internacional do produto e os custos de importação pela estatal para o preço doméstico do gás destinado à indústria. Desta maneira, a tonelada de GLP em 31 de março foi de US$ 323, adicionada de um custo de frete de US$ 45 a um câmbio médio do mês de R$ 3,46. O custo total para as distribuidoras ficou em R$ 1.287 a tonelada.
A estimativa de analistas de mercado é de que hoje, no fechamento de abril, este custo esteja em torno de US$ 300. Considerando o dólar médio a R$ 3,10, o preço real da tonelada ficaria em R$ 930. ''O pedido do setor é de que a Petrobras mantenha agora na baixa a mesma regra que fez valer para todo o período de alta'', afirmou o presidente do Sindigás.
Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobras, Rogério Manso, o repasse não será feito porque ainda há uma diferença entre o mercado doméstico e internacional a ser coberta. ''Os custos de importação na época de alta ainda não foram repassados integralmente'', afirmou, referindo-se ao GLP em geral, sem especificar sua finalidade (residencial ou industrial).
A Petrobras importa 30% do GLP consumido no País. Do total comercializado - aproximadamente 70 mil toneladas em março -, 70% são destinados ao consumo residencial, e o restante vai para o consumo industrial. ''Daí vem o acordo com as distribuidoras. É uma forma de a Petrobras subsidiar o gás de cozinha, em que tem produção própria, repassando os custos de importação para um setor não subsidiado'', explica um analista econômico de instituição financeira paulista.


