Distribuidoras de energia têm perdas de R$ 412 milhões
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sábado, 07 de abril de 2007
Humberto Medina<br>Folhapress 
Brasília- Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cedeu a pressões políticas, decidiu represar reajuste de tarifa e deu calote de R$ 412 milhões nas distribuidoras Enersul (MS) e Cemig (MG). Com a decisão da agência, o consumidor teve um reajuste menor, mas deverá ser chamado a pagar a conta depois, com juros.
Durante a semana que antecedeu o reajuste, os diretores da agência foram procurados, entre outros, por políticos como o governador de Mato Grosso do Sul, André Pucinelli (PMDB), e o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Eles pediam que a agência ''congelasse'' a tarifa da Enersul, uma vez que a concessionária já vende a energia mais cara do país.
A pressão surtiu efeito -a Aneel não congelou, mas decidiu não aplicar uma regra que ela mesma havia criado em 2003 e represou entre cinco e seis pontos percentuais no aumento das concessionárias Enersul e Cemig. Dessa forma, os reajustes, que poderiam chegar a 12% para consumidores residenciais, ficaram entre 3,5% (Enersul) e 6,5% (Cemig).
A decisão da agência alarmou investidores privados. ''Ficamos assustados. A Aneel foi alvo de pressão política, e o que nos surpreendeu foi que ela cedeu. O que é grave é que a agência está mudando o critério'', disse Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, que reúne os principais investidores privados no setor elétrico, entre eles o Energias do Brasil, proprietário da Enersul e controlado pela EDP (Energias de Portugal).
''A Aneel deu um passo para trás, colocou uma cortina preta na transparência'', disse Sales. Ele ressaltou que a agência reguladora deixou também de computar no cálculo da tarifa os custos com a implantação do programa Luz para Todos - programa do governo federal que tem como meta levar energia a todo o país.


