Distribuidoras cobram preços claros
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2003
Nicola Pamplona 
Agência Estado
Rio de Janeiro As empresas distribuidoras de combustíveis querem da Petrobras mais clareza na política de preços de combustíveis. Segundo o vice-presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Paulo Borgerth, a transparência na formação dos preços é indispensável para que as companhias programem investimentos para o Brasil.
''As regras de preços ainda não estão claras o suficiente para importarmos produtos que só chegariam ao Brasil em duas ou três semanas depois da decisão de trazê-los'', disse Borgerth. Por isso, a entidade defende que a estatal adote para a gasolina e para o diesel modelo semelhante ao que vem usando para o óleo combustível e o querosene de aviação.
Para estes produtos, a empresa mantém uma fórmula com reajuste mensal, segundo a qual os compradores podem ter uma noção sobre a evolução dos preços no mês seguinte. A fórmula indica quais são os parâmetros que a Petrobras usa para calcular os preços, como cotação internacional e câmbio.
O aumento das importações por terceiros, disse outro vice-presidente do Sindicom, Leonardo Gadotti, abriria margem para investimentos em infra-estrutura de transporte dos produtos. Além disso, com uma política de preços mais definida, explicou, seria mais fácil atrair investimentos em refino. ''De outro modo, continuaremos com uma empresa dominante por muitos anos'', alertou. Em 2003, apenas 1% do mercado de diesel e 2,4% do mercado de gasolina foram abastecidos com produtos importados por empresas privadas.
De acordo com estimativas da entidade, o mercado de combustíveis brasileiro encolherá em 2003. Até setembro, as vendas de gasolina caíram 6,1% e as de diesel, 3,9%. Houve ligeira melhora nos meses seguintes, mas não o suficiente para reverter o quadro de queda, diz Borgerth.
As vendas de gás natural veicular, por outro lado, devem crescer 25% este ano, o que explica, em parte, a redução nas vendas de gasolina. ''Mas a retração econômica e o aumento do mercado informal também contribuíram'', acrescenta o executivo.
As empresas do Sindicom BR, Ipiranga, Shell, Esso, Texaco, Agip e Repsol perderam participação no mercado de gasolina este ano. Somadas, as vendas das sete empresas representaram 73,6% do mercado, contra 74,1% no ano passado.
Os executivos da entidade dizem que a culpa é das liminares e da adulteração, que garantiram maior competitividade a empresas pequenas e ilegais. Este ano, houve um grande número de contestações judiciais à cobrança de impostos no setor.


