As grandes distribuidoras de combustíveis declararam guerra contra a adulteração de combustíveis nos postos em todo o País e para conseguir fazer frente ao mercado irregular estão lançando mecanismos de controle de qualidade. A Shell foi uma das empresas que se antecipou e, ontem, lançou em Curitiba um dispositivo eletrônico que trava os tanques de armazenagem de gasolina, álcool e diesel. A chave eletrônica impede que o dono do posto misture solventes no produto vendido pela distribuidora.
O controle da Shell será em todos os Estados onde a adulteração é mais frequente, isto é em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte. Até o final do próximo ano, todos os Estados terão o sistema. O Paraná se caracteriza como o segundo Estado campeão em venda de gasolina adulterada.
Uma pesquisa feita em janeiro pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostrou que 12% de toda a gasolina vendida, na região de Curitiba, estava contaminada com algum tipo de solvente. O resultado prático é mau desempenho dos carros, que começam a falhar por causa do combustível de má qualidade. São Paulo está em primeiro lugar na venda de produtos com impurezas, com um índice de 25% sobre o total vendido. Rio de Janeiro apresentou 10% de adulteração e Minas Gerais, 9%.
O gerente de Relações Setoriais da Shell, James Freitas de Assis, disse ontem que entram em média 2 milhões de litros de solventes ao mês, no Estado, pelo Porto de Paranaguá e Foz do Iguaçu. ‘‘Estes produtos são somente para os combustíveis’’, afirmou Assis, ao dizer ainda que os motoristas paranaenses consomem 340 milhões de litros de combustível ao mês.
As distribuidoras não sabem dimensionar de quanto é o prejuízo que levam com a adulteração dos combustíveis, pois deixam de vender os produtos para os postos que misturam os solventes. Mas os números não são pequenos, além de que a falsificação da gasolina compromete a imagem da fornecedora perante o consumidor.
O gerente de Qualidade de Produto da Shell, Luiz Biazolli, disse que a empresa já gastou R$ 11 milhões para criar e implantar o sistema de segurança nos tanques de combustíveis. ‘‘Até o final do programa serão R$ 20 milhões’’, afirmou Biazolli. Em São Paulo, 78% dos postos da distribuidora aderiram ao novo controle de qualidade, que é opcional. Em Curitiba, 60 dos 80 postos concordaram em lacrar os tanques, com o sistema eletrônico.

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